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[Policia Livre] Fw: Um facho de luz mostra a fatalidade

renato . r
Mon, 30 Sep 2002 18:37:05 -0700

   
    Encaminho um oportuno texto para leitura e consideração daqueles que acham que dessa vez, "Lula-Lá". Depois haverá choro e ranger de dentes, Renato.
 
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 26, 2002 4:34 PM
Subject: Fw: Um facho de luz mostra a fatalidade

 
D I V U L G A Ç Ã O
Prezados destinatários,
 
O título abaixo foi posto por mim, porque este notável artigo chegou com apenas o nome do autor no cabeçalho. Jamais li análise mais lúcida sobre o estágio político que atravessa o Brasil nessa quadra eleitoral. Sendo cubano e muito culto, Montaner sabe do que está falando. Que fatalidade!
 
UM FACHO DE LUZ
CARLOS ALBERTO MONTANER

O manicômio político brasileiro de hoje se parece bastante com o venezuelano de 1999. Em Caracas, a classe política democrática não soube articular um pacto razoável para derrotar Hugo Chávez nas urnas e, aos poucos, o coronel foi-se transformando no candidato dos grupos mais pobres e, depois, dos níveis sociais médios. Quando as pesquisas de opinião já o davam como vencedor, surgiu e se expandiu como uma pidemia "síndrome do revolucionário bom". Era o início da catástrofe.

O que é a "síndrome do revolucionário bom"? Trata-se de uma curiosa fantasia que insiste em acreditar que os reformadores sociais delirantes não tentarão levar a cabo seus loucos projetos. É como a negação da realidade que certos moribundos costumam experimentar. Já que morrer parece ser uma experiência desagradável, a maneira de enfrentar esse fato irremediável é acreditar que uma força mágica impedirá que ele aconteça.
Em Cuba foram legiões a opinar que Castro, sob sua máscara e seu discurso, escondia um estadista prudente. E, na Venezuela de Hugo Chávez, ouvi exatamente o mesmo:

"Trata-se de um revolucionário verbal, que se deixará guiar pela força dos fatos." Agora é a vez dos iludidos brasileiros. Como Lula ultrapassou seu teto eleitoral e talvez seja imbatível, muitos empresários e membros dos setores sociais médios – os que primeiro sofrerão as conseqüências nefastas desse apóstolo do terceiro-mundismo – começam a pensar que esse sindicalista radical, uma vez instalado no palácio do governo, será possuído pelo espírito de Tony Blair e se comportará de forma razoável.

Por que esperar essa metamorfose? Lula da Silva, como muitos milhões de latino-mericanos, acredita que a economia de mercado é um sistema injusto de produção e distribuição de bens e serviços. E acredita que a tragédia dos 80 milhões de brasileiros pobres se deve à ganância insaciável dos 80 milhões que não o são e, de forma muito especial, desses 7 milhões que constituem os níveis sociais mais altos do País. Para o sr. Lula da Silva, e para todo o seu círculo de amigos, cúmplices e companheiros de viagem inscritos no Fórum de São Paulo, a tarefa dos governos é elaborar controles para fazer justiça mediante a repartição forçada da riqueza criada, estabelecendo padrões igualitários de consumo, e não a de criar condições para que a sociedade, livre e espontaneamente, produza quantidades cada vez maiores de bens e serviços.

O que se há de fazer? O sr. Lula da Silva é um revolucionário latino-americano. Esta é ma espécie muito prolífica surgida no século 20, com dificuldade de entendimento e refratária à experiência, alimentada por graves erros intelectuais e assentada numa cômoda explicação de nossas desgraças baseada no vitimismo, o que lhe provoca uma fúria moral muito perigosa. A origem está numa velha bobagem formulada por Marx no século 19 para explicar as relações econômicas entre Inglaterra e Índia.

Nós, latino-americanos, somos pobres porque os poderes imperiais nos exploram – esses ianques, europeus e japoneses canalhas (ultimamente apoiados por coreanos e chineses) que nos condenaram à periferia do sistema econômico, obrigando-nos a vender matérias-primas sem valor agregado, enquanto compramos produtos manufaturados para glória e fortuna das nações situadas no centro.

Há 30 anos, Fernando Henrique Cardoso, hoje presidente do Brasil, que na época pensava como Lula, escreveu o manual da seita: Dependência e Desenvolvimento na América Latina. Com o tempo e muitas leituras, que Lula não fez, se curou (em que planeta?!!)

Votar em Lula é uma opção legítima. A democracia não pode excluir alguém por estar equivocado. O que constitui um disparate é pensar que Lula, uma vez no poder, vá respeitar as liberdades econômicas e comportar-se de forma sensata. Por que trairia suas convicções?

Os revolucionários latino-americanos são dirigistas, protecionistas, têm aversão aos empresários, detestam as nações desenvolvidas do Ocidente – que culpam pelas esgraças nacionais – e têm uma idéia cômica da elasticidade dos orçamentos e da capacidade arrecadadora do Estado. Todos crêem que a qualidade moral dos governos se mede pela dimensão do gasto público, o que desemboca na inflação e acaba por destruir a economia.

Nenhum deles entende como se cria ou malbarata a riqueza. De Perón a Alan García, passando por Allende, pelos sandinistas, por Fidel Castro e Chávez, à esquerda e à direita do espectro político, os revolucionários latino-americanos são especialistas em arruinar seus países em nome da justiça social.

Se os brasileiros vão eleger Lula, é bom saber o que pode acontecer....

Não existe o revolucionário bom, da mesma forma que não há uma espécie benigna de caruncho. Acreditar no contrário é só um sintoma da "fase de negação" que antecede a morte inevitável.

Carlos Alberto Montaner, jornalista e escritor cubano, é co-autor do livro Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano
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