O império do
crime
RIO
O medo contagiou a cidade por inteiro no dia de
ontem. Aterrorizada, sim, mas indignada e revoltada, a população
esteve perto de render-se ao pânico.
A presença de policiais militares, espalhados por
diversos pontos, não dissipou as expectativas sombrias. Crianças
choravam nas escolas sem saber o que acontecia. Os cidadãos ouviam toda
sorte de informação espalhada anonimamente, enquanto o comércio fechava
as portas para atender ao ultimato do crime organizado.
Escolas, universidades e repartições encerraram
precipitadamente suas atividades por falta de segurança.
Boatos e informações desencontrados amplificaram o
terror produzido pelos enclaves criminais que trazem o Rio sob
insuportável estado de ocupação.
A insegurança propagou-se velozmente, envolvendo a
cidade em uma onda de terror que não pode passar sem forte resposta do
Estado.
Não satisfez à sociedade ouvir as autoridades
estaduais insistirem na tecla de manipulação política, embora se saiba
que da política do Rio tudo se deva esperar.
Não é hora de tratar a segurança da cidade sem a
decidida e enérgica utilização de todo o potencial do Estado
constituído. É preciso — urgentemente — libertar os habitantes da cidade
do jugo do narcotráfico. Basta de timidez. É tempo de unir-se o
poder público, em todas as esferas — sobretudo a esfera federal — para
combater o império do crime. E devolver aos habitantes do Rio o direito
de trabalhar, estudar e locomover-se livremente sem submeter-se ao
incessante risco de vida a que todos estamos sujeitos.
[01/OUT/2002]