01 de Outubro de 2002
   LEGENDA
   
   
   
   
COLUNISTAS WEB
COLUNISTAS WEB >> Conjuntura

 
Leia tamb�m:
D�lar a R$ 3,60 no segundo turno?
N�o se combina mais com os russos
Duas hist�rias sobre credibilidade
Cada vez mais portas a abrir
Equa��o de dar dor de cabe�a
Ganhando dinheiro com a festa eleitoral
Klaus Kleber
[EMAIL PROTECTED]
(30/09/2002) 

A propaganda dos candidatos encobre os postes, avan�a pelas cal�adas, largas faixas cortam a vis�o dos viadutos, qualquer espa�o de muro ou fachada serve para o apelo dram�tico ao voto.

Fica dif�cil, para quem passa de carro, ler todas aquelas propagandas, se tivesse disposi��o para tanto. Para chamar a aten��o um candidato ousado, e certamente com boa caixa, postou ao longo da Rebou�as, a cada 50 ou 100 metros, homens carregando um cartaz perguntando: "Quem � 1818?".

Para responder a essa pergunta, o passante s� tinha como indica��o a legenda PST. Mas logo adiante vem o esclarecimento: "Eu sou, 1818" (com v�rgula e tudo). "Marc�lio Duarte, Deputado Federal. O voto � seu. A obriga��o � minha".

Parado pelo congestionamento, perguntei a um dos homens que carregavam o cartaz quanto estava recebendo por aquele trabalho. Ele n�o regateou informa��es. Aquele neg�cio de ficar segurando cartaz no canteiro central da avenida � chat�ssimo e quando uma pessoa chega para conversar deve ser um al�vio.

- R$ 15, respondeu, para ficar de estaca entre as 7 da manh� e sete da noite.

- E o almo�o?

- O candidato paga, disse ele com um sorriso franco, de poucos dentes.

N�o contei, mas calculo que, no trecho entre a Av. Paulista e a ponte Eus�bio Matoso - uns 2,5 quil�metros ou quase meia l�gua caipira -, havia uns 30 daqueles homens carregando o cartaz do 1818. Ou seja, brasileiros temporariamente empregados. O que n�o chega a ser desprez�vel neste magro fim de governo.

Havia outros compatriotas trabalhando. Uns agitavam bandeiras, na esquina da Av. Brasil, para o governador e candidato � reelei��o Geraldo Alckmin. Outro, solit�rio, procurava escalar um poste de cimento, tentando arrumar o cartaz do deputado Jos� Genoino, tamb�m candidato a governador.

Na profus�o de cartazes naquele local, enforcaram Genoino em ef�gie. Uma faixa gritando "QU�RCIA senador" estava sendo tamb�m ajeitada. Seguiam-se cartazes de Romeu Tuma, tamb�m candidato a senador, com a indefect�vel estrela de xerife, que, aparentemente, � heredit�ria. Robson Tuma, candidato a deputado federal, tem uma menorzinha.

A julgar pelas ruas e avenidas mais movimentadas de S�o Paulo, est� correndo bastante dinheiro nessa elei��o. Falo da grana legal. Da ilegal, n�o tenho id�ia. As gr�ficas, como sempre, est�o faturando bem, e dando mais empregos, claro.

E, al�m dos milion�rios marqueteiros, advogados especializados em pedir direito de resposta nos programas eleitorais na TV, publicit�rios e jornalistas com habilidades diversas, tem pregador e carregador de cartaz, tem pintor, pichador, armador e arranjador de faixa, distribuidor de santinho, motorista, motoqueiro, etc. Surgiu tamb�m uma nova especialidade: os internautas que nos bombardeiam com e-mails. (Depois da queda de alguns palanques, os carpinteiros est�o em baixa.)

Mas quem est� ganhando dinheiro para valer nesta elei��o s�o os operadores do mercado financeiro. Na coluna que aqui foi publicada segunda-feira, procurei determinar a taxa m�dia mensal de eleva��o da cota��o do d�lar desde os idos de fevereiro. Tenho um velho v�cio profissional de fazer contas e cheguei a aventurar que o d�lar chegaria a R$ 3,60 no segundo turno, embora n�o me surpreendesse se ele fosse a R$ 3,80 ou a R$ 4.

Ca� do cavalo. O d�lar subiu � taxa m�dia mensal de 4,99% de fevereiro at� 20 de setembro. Do dia 23 em diante, a cota��o do d�lar passou a saltar, em m�dia, 2,62% por dia. A cota��o, que estava em R$ 3,405 (venda) no dia 23, pulou para R$ 3,875 na �ltima sexta-feira, quando o d�lar chegou a bater durante o dia em R$ 3,90. Em uma semana, a cota��o do d�lar avan�ou 13,8%.

At� a alta c�pula do governo perdeu a esportiva desta vez. Na sexta-feira, os jornais davam em manchete declara��es do Fernando Henrique Cardoso condenando a absurda especula��o. O ministro Pedro Malan, que est� em Washington para a reuni�o do FMI, disse que o ganancioso mercado � movido por medo e ignor�ncia. N�o adiantou nada.

Como n�o v�o adiantar os bons resultados do balan�o de pagamentos, a boa palavra do FMI sobre o Brasil e as afirma��es de banqueiros de que Lula n�o mais assusta. Dizem que � um grupelho de operadores que maneja as cota��es, o que � relativamente f�cil em um mercado estreito.

Surgiu a sugest�o de que o governo mude o c�lculo da Ptax (taxa m�dia), alargando o per�odo de c�lculo, o que poderia reduzir os gastos do Tesouro em rela��o aos t�tulos com corre��o cambial. Mas bastou essa suspeita para jogar mais lenha na fogueira. O governo parece manietado. N�o h� nada a fazer sen�o ficar aguardando n�o se sabe bem o qu�. � como na pe�a "Esperando Godot", de Samuel Beckett: os personagens, Estragon e Vladimir, decidem no final ir embora, mas permanecem im�veis.

Cai o pano.



 

  HOME EMPRESA POL�TICA DE PRIVACIDADE TERMO DE RESPONSABILIDADE FALE CONOSCO  
Ana  Candida  Echevengu�
[EMAIL PROTECTED]
(48) 2254363/99712738
Rua Felipe Schmidt, 515, sala 703,
CEP 88.010-001 - Florian�polis - SC.
------------------------------
Endere�os da lista:
http://www.professorsoares.adv.br
Para entrar: [EMAIL PROTECTED]
Para sair: [EMAIL PROTECTED]
------------------------------

clique aqui Grupos.com.br
p�gina do grupo diret�rio de grupos diret�rio de pessoas cancelar assinatura

Attachment: fundopeq_topo.gif
Description: GIF image

Attachment: transp.gif
Description: GIF image

Attachment: logo_investnews.gif
Description: GIF image

Attachment: bullet.gif
Description: GIF image

Attachment: atendimento.gif
Description: GIF image

Attachment: cadeado_fechado.gif
Description: GIF image

Attachment: relogio.gif
Description: GIF image

Attachment: cadeado_aberto.gif
Description: GIF image

<<bg_conjuntura.jpg>>

Attachment: dot.gif
Description: GIF image

Attachment: logos_bottom.gif
Description: GIF image

Responder a