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Olá ,
Era uma vez uma empresa, fundada por
verdadeiros empreendedores da cidade de São Paulo, conhecida pela revolucionária
idéia de extrair de uma plantinha amazonense uma bebida de sabor inigualável que
conquistou o mundo.
Era uma vez uma outra empresa, fundada por
verdadeiros empreendedores da cidade do Rio de Janeiro, conhecida pela
excepcional qualidade dos seus produtos e adorada por seus fiéis consumidores.
Era uma vez então um banco, que comprou essas empresas para criar uma
nova empresa, que comprou então outra empresa para adicionar a essa nova
empresa, que comprou então mais uma outra empresa para adicionar a essa nova
empresa, e então..., vendeu tudo para uma outra empresa.
No mundo
globalizado só existe uma forma de uma empresa não ficar para trás: NÃO SE
VENDER! Não vender as IDÉIAS ORIGINAIS
que criou! Entender que somente com IDÉIAS ORIGINAIS é possível fazer a
diferença no mundo, no seu mercado, no seu bairro, na sua casa.
Desde a
década de noventa que o controle diário da Brahma e a Antarctica pertenciam a um
banco e não mais aos seus empreendedores originais. Um banco de investimentos
que tem por missão investir números por números para obter números em troca de
números, muito rapidamente e baseado em métricas “modernas” de velocidade de
retorno sobre o investimento, produtividade por cabeça, garrafas por consumidor,
metros quadrados por engradados, engradados por pontos de venda, pontos de venda
por funcionário, funcionários por horas de trabalho aos finais de semana, e
quantidade de mulher pelada por peças de propaganda. Em resumo, o verdadeiro
estado da arte em CRIATIVIDADE! O verdadeiro espírito do EMPREENDEDORISMO! Vai
nessa...
A grande diferença entre o Oscar Schmidt (talvez o principal
jogador de basquete da história do esporte no Brasil) e um rapaz que todos os
domingos joga uma partida de basquete com os amigos, em algum clube de alguma
cidade brasileira, são as métricas que cada um usa para definir o que é SUCESSO
para cada um.
Para o rapaz, vencer a partida e fazer cestas, talvez
sejam as únicas métricas que ele usa para entender o quanto ele evolui
individualmente, e talvez com isso, passados 25 anos, ele continue com o mesmo
desempenho. Enquanto que para o Oscar, apenas esses números financeiros (vitória
e pontos) não são o suficiente para medir sucesso. Ele sabe que o número de
assistências aos seus colegas, o número de horas de treino, o número de horas de
estudo, o tempo com os fãs, o número de passes errados e o tempo de posse da
bola, são as verdadeiras métricas para atingir a vitória e conquistar os pontos.
Na vida nós geralmente somos viciados em olhar as coisas por apenas um
único ângulo (no caso de alguns bancos apenas o lado financeiro) deixando de
lado outros ângulos que são as verdadeiras unidades de medida daquilo que
seremos ser.
Enquando a Ambev acredita (eu não acredito que ela acredita
de verdade nisso) que o caminho do seu crescimento é avançar sobre continentes
que já possuem suas marcas preferidas. A Interbrew, aquela que comprou a Ambev,
SABE que os países com maior potencial de crescimento são o próprio Brasil e a
Ásia (onde o Guaraná Antarctica já tem inclusive o pé por lá faz tempo) e SABE
que o quê a Ambev tem de original não é a cerveja (por mim pode vender a cerveja
à vontade. Não fomos nós que inventamos a cerveja. Cerveja não tem nada de
original e não é saudável), e sim essa pequena plantinha da amazônia que TODOS
se apaixonam a primeira vista e só é encontrada por aqui.
O lugar do
Brasil é no mundo, mas muito antes disso, o lugar do mundo é no Brasil. As
oportunidades estão aqui. Todos sabem disso. Somente nós não sabemos.
Engana-se aquele que acredita que o mundo dos negócios caminha para um
imperialismo de marcas e grandes empresas (se você acredita nisso vote no Sr.
George W. Bush para sua reeleição em Novembro próximo). O Século Vinte e Um é o
século do indivíduo, das empresas com líderes que tem rosto, que assinam suas
correspondências, visitam clientes e atendem telefone. O consumidor não quer se
parecer com o personagem da novela das oito e consumir o que o ator consome. Ele
quer se parecer com ele mesmo, e viver sua própria personalidade. Engana-se quem
acredita que é possível vender um produto do mesmo jeito em lugares diferentes
só porque é o mais vendido por aqui.
Eu quero me relacionar com o
Presidente de uma empresa e não com o seu CEO. Eu quero falar sobre o lucro da
empresa e não sobre o seu EBIT. Eu quero entrar novamente em uma locadora de
vídeo e ser servido por um Ser Humano e não por um colaborador treinado que diz
“Bom dia!” como o manual da empresa diz, sem nem mesmo olhar na minha cara e sem
nenhuma autenticidade.
Eu quero usar tênis inglês da Inglaterra, perfume
francês da França, carro japonês do Japão, celular coreano da Corea, computador
americano dos EUA, roupa italiana da Itália, vinho português de Portugal, comida
espanhola da Espanha, tapetes árabes da Arábia Saudita, e tomar o meu guaraná
brasileiro do meu Brasil.
No mundo globalizado só existe uma forma de um
país não ficar para trás: SER ORIGINAL!
Um abraço e excelente semana ,
Luiz Otávio
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