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No que daria o cruzamento de chupim com alelopata? Quando eu era adolescente, juntava-me com o restante dos cruéis críticos do gênero humano, a turma de também adolescentes da qual fazia parte e, quando não tínhamos nada o que fazer (o que era regra geral), partíamos para algumas brincadeiras inocentes. Uma delas era especialmente deliciosa, qual seja a de rotular as pessoas de quem não gostávamos ou mesmo um simples passante, distraído desconhecido que apenas aparecia na hora errada, no local errado, diante das pessoas erradas: nós e a nossa cortante competência em rotular as pessoas. A depender do tipo físico e de um ou outro detalhe mais evidente (e engraçado), nós fazíamos um rápido debate e fulminávamos o infeliz que era a bola da vez: “esse é cruzamento de galinha de pescoço pelado com rato de parede”; aquela, “cruzamento de seriema com frango entalado”; o outro é “mistura de lagartixa com urubu de perna torta”; e ainda tinha o “mistura de cruz credo com espermatozóide com prazo de validade vencido”. E como ríamos, cruéis, cortantes e debochados seres entre a infância que se ia e a implacável maturidade que se acercava! Ao ler um e-mail que recebi da Comunidade Qualitypoint, da qual sou membro, texto assinado por Gerhard Erich Boehme, da Boehme Brasil Consulting, que respondia à pergunta “O que é alelopatia?”, imediatamente veio-me à cabeça aquela brincadeira dos distantes tempos da adolescência. No que daria juntar “alelopata” com “chupim” ou vice-versa, tendo RH como pano de fundo? O por que do “chupim”? Ora, tinha acabado de assistir um documentário no Discovery Channel, copioso e ilustradíssimo estudo sobre algumas espécies bizarras de pássaros, com muito tempo para o desfilar glorioso do “chupim” e, juntando as coisas nessa minha cabeça de escrevinhador, mais uns bocadinhos de irreverência (inocente) e aqui estamos! “Chupim”, segundo o Aurélio: “[do tupi] Substantivo masculino. 1. Bras. Zool. Ave passeriforme, icterídea (Molothrus bonariensis), distribuída por todo o Brasil e países limítrofes. Coloração preta, purpúrea, brilhante. A fêmea é parda, quase negra. Põe os seus ovos nos ninhos do tico-tico, que inadvertidamente lhe cria os filhotes. Freqüenta arrozais no período das colheitas e os currais das fazendas, alimentando-se de toda sorte de sementes, inclusive do milho, que recolhe nas fezes do boi. [Sinônimos: arumará, boiadeiro, brió, carixo, catre, chopim, corixo, corrixo, engana-tico, engana-tico-tico, gaudério, godério, godero, gorrixo, papa-arroz, parasito, uiraúna, vira, vira-bosta, vira-vira] 2. Bras. Zool. V. pássaro-preto. 3. Bras. RJ, SP, RS Marido da professora, quando vive à custa dela.” Trocando em miúdos, o chupim é um parasita, que vive às custas dos outros, um ser que apenas suga o que precisa, o que, por analogia, nos faz lembrar alguns traços do lado ainda obscuro da cultura de RH em nosso país: poucos produzem a tecnologia que será sugada por muitos... Já Alelopatia, segundo a fonte citada retro,
é: “1. Comportamento condenável a muitos profissionais em organizações
brasileiras, quando adotam a postura de não passar informações técnicas e
experiências aos seus colegas de trabalho. 2. Comportamento condenado de muitos
“chefes” que não procuram auxiliar e apoiar o desenvolvimento profissional dos
membros de sua equipe. É quando o Senso Shido não se faz presente nas
organizações. Shido, um dos 8S, é o senso de formação profissional (capacitação,
educação e treinamento) visando qualificar o profissional e engrandecê-lo como
ser humano. 3. Organizações que não contratam sistematicamente estagiários. 4. O
termo "alelopatia" foi criado em 1937, pelo pesquisador alemão Hans Molisch, com
a reunião das palavras gregas "allélon" e "pathos", que significam,
respectivamente, mútuo e prejuízo." Segundo Molisch, alelopatia é "a capacidade
de as plantas, superiores ou inferiores, produzirem substâncias químicas que,
liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favorável ou desfavorável
o seu desenvolvimento".
O conceito engloba atualmente o reino animal, com o
reconhecimento de que a alelopatia se processa entre eles e entre plantas e
animais e “Alelopata: pessoa ou organização que pratica a
alelopatia”.
O cruzamento de “chupim” com “alelopata” resulta na mais
terrível das criaturas que possam existir em nosso meio: um ser disforme e
repulsivo, que mais e mais empurra a tecnologia de Gestão de Pessoas para a
mesmice, para uma mediocrização generalizada, porque, ao tempo em que suga
insaciável e sem medidas aquilo que é produzido pelos poucos abnegados de RH,
insiste em não compartilhar, escondendo o que não lhe pertence e que, na
verdade, é um bem comum e que deve estar disponível para todos: o conhecimento,
o saber fazer, a noção precisa do como fazer e a generosidade absoluta de levar
a fazer, para o bem de todos.
Benedito Milioni é consultor, sociólogo e administrador de empresas. E-mail: [EMAIL PROTECTED] Fonte: http://www.rhcentral.com.br/pen/pen.asp?ano=7&numero=74&pagina=12 EDIÇÃO DO MÊS P&N - ANO: 7 - NÚMERO: 74 ====================================================== PROCURE SEGUIR ESTAS REGRAS PARA UM BOM FUNCIONAMENTO:
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