S�o Jos� do Rio Preto,20 de setembro de 2004
AS �RVORES EM NOSSAS VIDAS
Car�ssimos educadores e ambientalistas.
Em agosto de 1977 fui transferido do policiamento militar de tr�nsito de S�o Paulo para o policiamento militar florestal de S�o Jos� do Rio Preto. Em conseq��ncia, fixei resid�ncia nesta bela cidade. Naquela �poca, contava com vinte e cinco anos de idade, muita energia e, principalmente, vontade de solucionar problemas. Inicialmente, ao tomar conhecimento da legisla��o espec�fica, percebi o qu�o importante seria minha profiss�o para a sociedade e, por isso, me dediquei ao m�ximo na aplica��o da lei, bem como, na orienta��o das pessoas, no sentido de que se tornassem conscientes e n�o apenas conhecedoras das quest�es ambientais. Apenas para ilustrar, lembro que, �s vezes, em patrulhamentos na zona rural, subia em �rvores, tentando assim, descobrir se havia outras cortadas. Os colegas, naquela �poca, os mais antigos, consideravam desnecess�rio tamanho empenho no sentido de descobrir eventual irregularidade. A ansiedade era motivada por um pressentimento de que, em breve, talvez, houvesse a extin��o das �rvores. Na primavera, por exemplo, avistamos dezenas, centenas de ip�s roxo, branco, amarelo e a paisagem se transformava, dando-me mostras da beleza da vida e do quanto esse mundo � colorido. A regi�o se transformava, principalmente, porque nos munic�pios eram maiores as �reas cobertas por florestas (capoeiras e cerrados) e ao longo dos cursos de �gua, a mata ciliar resistia ao �mpeto desbravador imposto por for�a da cultura agr�cola. N�o me recordo de quantas vezes apliquei a lei aos cidad�os inconscientes, mas, no entanto, compreendia que, na verdade, n�o eram culpados por tal conduta, pois, a aus�ncia de educa��o corrobora com o padr�o de comportamento. Por conta disso, n�o esque�o minha primeira palestra de educa��o ambiental, que aconteceu na d�cada de oitenta, numa cidade da regi�o. A minha frente, aproximadamente cem fazendeiros, atentos e curiosos, por sanar as d�vidas da legisla��o. Nesse dia, momentos antes, elevei meu pensamento a Deus, rogando a Ele que tivesse �xito e que aquelas pessoas pudessem compreender a import�ncia das �rvores na vida delas, de seus filhos, netos, bisnetos, enfim, das futuras gera��es. O cora��o acelerou, a voz embargou, os olhos lacrimejaram e a comunidade � minha frente. Respirei fundo, me acalmei e falei bastante, dando �nfase � raz�o, mas tamb�m, ao cora��o, visto que, na vida, aprendemos por amor e pela dor. Curioso, mas, sempre que se encerra uma palestra, as pessoas procuram o palestrante para sanar outras d�vidas e, em face disso, o palestrante se sente realizado ou frustrado. Certa vez, ao encerrar uma palestra numa escola da regi�o, fui interceptado por algu�m interessado em efetuar desmatamento sem, contudo, infringir a lei. N�o acreditei, visto que, a palestra ocorrera na semana da �rvore e havia discorrido, essencialmente, sobre a preserva��o das reservas florestais nas propriedades, ou seja, para que fossem mantidos pelo menos vinte por cento da �rea total, j� que, com isso, possibilitaria a harmonia entre flora, fauna, hidrologia, clima e o bem estar da pessoa humana. No caso, esse algu�m, tinha uma propriedade com �rea total de vinte alqueires, onde havia uma capoeira com �rea de dois alqueires, portanto, a legisla��o n�o permitiria a supress�o da vegeta��o. Assim, o tempo foi passando e eu fui testemunhando o comportamento dos seres humanos, em detrimento dos seres n�o humanos. Importante esclarecer que, infelizmente, por conta do progresso, a vida fica relegada ao segundo plano. Por exemplo, pessoas envenenam ou soterram as �rvores de forma sorrateira, tentando assim ludibriar a fiscaliza��o. Mal sabem que ludibriam a si pr�prios, pois, n�o h� preocupa��o com o futuro, talvez, porque o verdadeiro sentido da vida n�o se faz presente. Em rela��o ao futuro, tenho esperan�a em que o homem aprenda por amor e que reflita sobre o Criador, por nos dar o privil�gio da vida, nesse planeta, colorido, essencialmente, pelas �rvores. Em nossa regi�o, colorido especial dos amendoins, angicos, aroeiras, canelinhas, cedros, farinhas secas, figueiras, jenipapeiros, guajuviras, guatambus, ip�s, jatob�s, monjoleiros, �leos de copa�ba, paineiras, pau d�alhos, perobas, quaresmeiras, sucupiras etc. As �rvores s�o seres que det�m a vida e s�o dotadas de energia f�sica, mas, n�o s�o dotadas de energia emocional, no entanto, cumprem com sua fun��o e contribuem para a multiplica��o da vida. Os humanos s�o seres que det�m a vida e s�o dotados de energia f�sica e emocional e, ao contr�rio das �rvores, infelizmente, contribuem pouco para a vida. Na verdade, �s vezes, o individualismo, o ego�smo e a ansiedade pelo capital, impedem a preserva��o da vida. Sen�o, vejamos.
As pessoas sabem da import�ncia das �rvores que comp�em as matas ciliares, no entanto, � comum em propriedades rurais a exist�ncia de c�rregos, ribeir�es, rios e at� mesmo olhos d��gua, desprotegidos em face da agricultura e da pecu�ria. Cumpre ressaltar que alguns propriet�rios de sitos ou fazendas s�o cidad�os conceituados na sociedade e com forma��o privilegiada, no entanto, s�o analfabetos ambientalmente. Nesse ano de 2004 comemoramos, mais uma vez, a semana e o dia da �rvore e tomamos conhecimento, tamb�m, de que a cobertura arb�rea est� bem menor. Assim, entendo que, s�o infrut�feras as solenidades e as reflex�es, uma vez que, somos incapazes da a��o.
Em nome da vida, at� quando?
Jorge Ger�nimo Hip�lito
3� Sgt Ref PM
Ambientalista