www.geofiscal.eng.brEnt�o que sejamos r�pidos, pr�ticos e competentes, mas sobretudo socialistas pois essa maritaca a� saiu das m�os de um cidad�o pobre e faminto, considerado criminoso pelo IBAMA, e foi direto e de gra�a para as m�os de um dono de criadouro comercial de psitac�deos com infraestrutura de hotel 5 estrelas estilo Ilha do Pitangui e Xou da Xuxa, considerado pelo IBAMA como celebridade.

Mauro Zurita Fernandes


"Do ponto de vista das popula��es tradicionais e dos produtores de base familiar, o sistema de manejo extensivo � uma alternativa interessante, uma vez que n�o envolve custos com manuten��o dos animais e/ou constru��o de recintos."

16/12/2001

Manejo extensivo de animais silvestres com fins comerciais

Proteger e utilizar racionalmente os recursos da fauna requer a��es de manejo que demandam conhecimento, t�cnica, controle e monitoramento. Visando atender a estas premissas, uma estrat�gia que vem sendo amplamente disseminada � a cria��o de animais silvestres em cativeiro.

No caso espec�fico do Acre, j� existem alguns criat�rios comerciais de tartarugas, pacas, capivaras e catetos implantados com sucesso em v�rias localidades do Estado e h� ainda v�rios outros criat�rios em fase inicial de implanta��o, indicando o crescente interesse no setor. Como exemplo, pode-se mencionar o criat�rio de capivaras, pacas e catetos implantado na Fazenda Experimental do Catuaba, localizada cerca de 25 km de Rio Branco, que � resultante de uma parceria entre a Secretaria de Agricultura e Pecu�ria (Seap), Secretaria de Assist�ncia T�cnica e Extens�o Agroflorestal (Seater), Universidade Federal do Acre (Ufac) e Embrapa Acre.

Uma outra estrat�gia importante, mas ainda pouco difundida, � o manejo extensivo dos animais silvestres, com o abate seletivo de uma porcentagem da popula��o; uma experi�ncia que vem sendo desenvolvida com capivaras na Venezuela e em algumas prov�ncias da Argentina. Nestes pa�ses, a legisla��o vigente estabelece que o produtor deve inicialmente solicitar uma licen�a ao Minist�rio do Meio Ambiente, que envia t�cnicos ao local para fazerem a contagem direta dos animais.

Dependendo do tamanho da popula��o, o Minist�rio do Meio Ambiente permite o abate de 20% a 30% dos animais existentes nas propriedades. Na Venezuela, este sistema vem sendo adotado desde 1968 e, apesar de todos os problemas enfrentados na fiscaliza��o e da press�o sobre os animais em fun��o das dificuldades econ�micas pelas quais passa o Pa�s, algumas propriedades conseguem manter popula��es razo�veis, que s�o exploradas anualmente.

� �bvio que o sucesso desta experi�ncia depende diretamente da efici�ncia de contagem de animais realizada pelos �rg�os competentes, da capacidade de fiscaliza��o destes �rg�os e, principalmente, do apoio do produtor que se compromete a abater somente a porcentagem permitida por lei. � uma experi�ncia, no entanto, que pode beneficiar v�rias fam�lias e contribuir para a consolida��o das atuais pol�ticas p�blicas que visam ao uso sustent�vel dos recursos naturais.

Do ponto de vista das popula��es tradicionais e dos produtores de base familiar, o sistema de manejo extensivo � uma alternativa interessante, uma vez que n�o envolve custos com manuten��o dos animais e/ou constru��o de recintos. Do ponto de vista das atuais pol�ticas de conserva��o ambiental, o abate seletivo de animais silvestres para fins comerciais, com autoriza��o e acompanhamento dos �rg�os competentes, pode inibir a venda ilegal da carne, pele e outros produtos que abastecem os mercados das cidades. Al�m disso, a possibilidade de se obter uma fonte adicional de renda por meio do manejo extensivo cria oportunidades de investimento em atividades de educa��o ambiental (j� que haveriam normas a serem seguidas), fazendo com que as pessoas passem a trabalhar em parceria com os �rg�os ambientais, o que poderia, inclusive, auxiliar nas atividades de fiscaliza��o destes �rg�os.

No Brasil, o Ibama autoriza o manejo de animais silvestres em sistemas extensivos, somente nos casos em que os animais fazem parte de uma popula��o isolada geograficamente de outras popula��es, uma vez que a Lei de Prote��o � Fauna Silvestre permite apenas a comercializa��o de animais nascidos em cativeiro. Todavia, em fun��o do crescente interesse no uso racional da fauna silvestre, j� h� uma discuss�o em andamento, envolvendo t�cnicos de v�rias Institui��es, em busca de subs�dios para a reformula��o desta legisla��o. No Estado do Acre, encontra-se em fase experimental uma iniciativa de manejo extensivo de queixadas, liderada pelo CNPT/Ibama, na Reserva Extrativista do Cazumb� Iracema, comprovando o interesse dos �rg�os ambientais em encontrar uma solu��o sustent�vel � quest�o do uso da fauna silvestre. Al�m disso, o elevado n�mero de apreens�es de animais abatidos ou vivos sendo comercializados de forma ilegal no Brasil demonstra claramente que n�o basta somente proibir. Esta atitude � particularmente ineficiente em um Estado como o Acre, rico em termos de biodiversidade e que tem arraigado na cultura de seu povo o consumo de carne de ca�a (mesmo entre os moradores das cidades).

O desenvolvimento e o aperfei�oamento de estrat�gias que promovam o uso racional e sustent�vel da fauna silvestre s�o, portanto, demandas que precisam ser trabalhadas sob diferentes aspectos: � preciso investir sim na cria��o comercial de animais silvestres em cativeiro, mas � preciso, tamb�m, investir no manejo destes animais em seus ambientes naturais.

Patr�cia Maria Drumond, bi�loga, pesquisadora da Embrapa Acre. [EMAIL PROTECTED]

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