Na França, os bares que oferecem narguilés estão ameaçados de fechamento em 1º 
de janeiro 
Olivier Razemon 
Na quarta-feira, 21 de novembro, os proprietários dos bares que oferecem 
chichas (sinônimo de narguilé) participarão de uma manifestação organizada em 
Paris pelos proprietários de lojas que vendem tabaco e derivados. Com isso, 
eles esperam obter uma reformulação do decreto que proíbe fumar em locais 
públicos, o qual deve passar a vigorar em 1º de janeiro de 2008. 
Os salões de chá onde se pode fumar o narguilé vêm conhecendo, já há cerca de 
dez anos, um sucesso considerável, tanto na França quanto em outros países 
ocidentais. Neles os usuários fumam, por meio de um cachimbo de água, tabacos 
perfumados com aromas de maçã, mel ou framboesa, enquanto consomem ao mesmo 
tempo um chá de hortelã bastante açucarado. 
Nos últimos tempos, os profissionais da saúde andaram insistindo sobre a 
nocividade desta prática. Uma pesquisa conduzida pelo professor Bertrand 
Dautzenberg, um pneumologista que é também o presidente da Organização Francesa 
de Prevenção do Tabagismo, demonstrou que uma única tragada inalada por meio de 
um narguilé equivale a fumar entre dois e seis cigarros. 
O fechamento dos cafés de chichas parece ser, portanto, irreversível. Diante 
disso, alguns dos proprietários vêm cogitando uma reconversão. Um deles, 
Nasser, cujo estabelecimento fica na Rua Mouffetard, em Paris, planeja oferecer 
pratos orientais, "falafels" (bolinhos fritos de grão-de-bico) ou, por que não, 
"fetires", aquelas pizzas egípcias que muitos dizem serem excelentes. "Mas, 
para tanto, será necessário construir uma cozinha, proceder a uma reforma do 
salão, e ainda contratar um cozinheiro". Mas ele admite que, por enquanto, as 
obras nem sequer começaram. 
Nasser espera também poder manter pelo menos "uma sala de 20 m2", que será 
reservada para os fumantes. "A princípio, a nova lei não proíbe a criação de 
espaços para fumantes, mas, conforme explica o decreto, nenhuma prestação de 
serviços poderá ser efetuada no local pelos assalariados do estabelecimento. 
Ora, o narguilé, assim como o chá que o acompanha, constitui um serviço", 
contesta Badri Helou, um fornecedor de tabaco e presidente da União dos 
Profissionais do Narguilé (UPN). Uma outra solução consistiria em transformar 
os salões em clubes privados. "Contudo, neste caso, mais uma vez, as condições 
são draconianas", avisa o presidente da UPN. 
A organização profissional ainda tenta obter uma derrogação. Um "compromisso de 
qualidade", destinado aos seus aderentes, foi redigido. "Nesta carta de 
intenções, nós preconizamos medidas que visam a reduzir os riscos: utilização 
de ponteiras descartáveis, limpeza sistemática dos utensílios, proibição aos 
funcionários da casa de acenderem, eles mesmos, o narguilé para auxiliar o 
cliente. Mas o Ministério da Saúde se recusa a ouvir as nossas sugestões", 
queixa-se Badri Helou. 
Alguns proprietários não fazem nenhum mistério da sua intenção de prosseguir a 
sua atividade, custe o que custar. Este é o caso de Patrice Druyer, dono de 
dois cafés situados no 11º distrito de Paris. "O nosso pensamento é de 
continuar e, na primeira multa que nos for aplicada, nós entraremos com 
processo contra o decreto, com ajuda dos nossos advogados", explica. Outros 
estabelecimentos, por sua vez, também poderiam continuar oferecendo o narguilé 
à sua clientela, simplesmente pelo fato de ignorarem a lei. "Trata-se de jovens 
empreendedores que acabam de implantar a sua atividade e que se mostraram muito 
surpresos ao aprenderem que eles deverão se conformar com o decreto", observe 
Badri Helou. 
Ao longo dos anos, a clientela desses estabelecimentos foi se modificando. Ela 
não é mais constituída apenas por magrebinos (oriundos do norte da África) 
idosos que tentam matar a saudade do seu país, mas também por jovens 
consumidores, como Alexis Bataille, estudante em Vannes, que se tornou de tal 
forma um entusiasta que montou um site dedicado ao narguilé. "Basta conferir os 
nomes e os sobrenomes de família dos participantes dos fóruns para entender que 
os adeptos são numerosos e das mais diversas origens", observa. 
"Apenas 10% dos nossos clientes de longa data são de origem magrebina", 
confirma Nasser, que veio da periferia do Cairo para se instalar em Paris há 
trinta anos, e hoje é o proprietário do Café Égyptien, um salão situado na Rua 
Mouffetard, no centro da capital. Até mesmo os grandes hotéis cederam à 
tentação. Este é o caso do Hilton, situado na Rua de Courcelles, perto do 
Parque Monceau, em Paris, que ofereceu aos turistas internacionais, durante o 
verão, um "café-chicha". 
A moda do narguilé estendeu-se pela França como um todo. "Mais da metade dos 
800 bares estão em Ile-de-France (a região parisiense), mas eles também podem 
ser encontrados nas pequenas cidades, e até mesmo em alguns povoados", garante 
Badri Helou que, além de ser um fornecedor de tabaco, dirige a União dos 
Profissionais do Narguilé (UPN), uma organização que foi fundada 
especificamente para lutar contra a aplicação do decreto. "Alguns comparecem 
nos bares de narguilé para recordarem uma viagem no Oriente, enquanto outros o 
fazem para acompanhar amigos, com eles curtir um momento de convivência e, 
também, para experimentar a sensação de estarem por um momento em algum lugar 
diferente e exótico". 
Tradução: Jean-Yves de Neufville 
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