*MANOBRA GOLPISTA DO PT JÁ COMEÇA *
*A SER TORPEDEADA*
 *04.12, 13h00*
 *por Aluízio Amorim *

*A três anos da eleição presidencial é difícil fazer previsões. Entretanto,
esta pesquisa realizada pelo DataFolha e que foi publicada no jornal Folha
de São Paulo deste domingo não apenas aponta o governador paulista José
Serra como favorito, mas revela um fenômeno eleitoral ainda que momentâneo.

De qualquer forma, há dois indicadores muito expressivos que atiram uma
potente ducha de água fria no calor da campanha pelo terceiro mandato de
Lula, açulada pelos petistas que, deslumbrados com o poder, esqueceram todo
o fervor democrático de outrora quando combatiam a ditadura militar: o
prestígio de Serra e o fato de que 65% dos brasileiros são contra o 3°
mandato.

O fato de a pesquisa registrar aprovação de 50% a Lula talvez não signifique
apoio à prática do governo como um todo. Pode ficar mais restrita à figura
carismática de Lula como personagem de uma façanha: o operário que chegou à
Presidência da República. Os efeitos do discurso populista de Lula e de sua
prática clientelista e paternalista concorrem para esse seu índice de
aceitação popular.

Os números favoráveis a José Serra podem resultar de uma reflexão do eleitor
quando compara o governo do PSDB, tendo à frente Fernando Henrique Cardoso,
com a prática política e administrativa do PT. Isto sem falar na produção de
escândalos como o mensalão, os dólares na cueca, o dossiê fajuto, apagão
aéreo e trambicagens alopradas e correlatos, patrocinados pelo petismo.

Também não quer dizer que o apoio a Serra decorra da performance de FHC que
em muitos casos conduziu de forma tortuosa algumas iniciativas
governamentais excelentes, como as privatizações. Mas a bem da verdade a
estabilidade democrática e o respeito às instituições por parte do governo
anterior pesam e servem de parâmetro para uma comparação e uma escolha.

O eleitor também pode estar emitindo sua preocupação com a total falta de
iniciativa do governo do PT no que se relaciona ao ato de governar e,
sobretudo, naquilo que é respeitante à ausência de projetos reais e
consistentes na área da infra-estrutura. Em quase cinco anos no poder o
governo do PT não foi além do tal PAC que, trocado em miúdos, é o mesmo que
nada.

Examinando-se bem a realidade brasileira sob o governo do PT verifica-se que
o país está à deriva em termos de administração pública. Não se trata de
implicância ou preconceito, como querem fazer crer Lula e seus sequazes. O
PT já revelou nos primeiros dias da posse uma extrema fragilidade de quadros
com conhecimento e capacidade administrativa. Tanto é que o partido teve que
buscar nas fileiras de seus adversários pessoas para o provimento dos cargos
ministeriais.

A aposta em mudança que levou Lula e seus sequazes ao poder foi mantida
pelos eleitores até o final do primeiro mandato. E lhes foi dada uma segunda
chance.

Contudo, esse interregno no poder não foi suficiente para o partido
renovar-se. O PT não com seguiu produzir nenhuma liderança além de Lula, que
até hoje vem carregando nas costas todo o seu partido. Não avançou um
centímetro sequer em iniciativas além da bolsa-família que, por ironia do
destino, foi também uma invenção do governo FHC.

A campanha pelo terceiro mandato, a insinuação de plebiscito e a convocação
de uma constituinte para alterar a Constituição podem ter antecipado o fim
do ciclo petista.

Outro aspecto que pesa nessa tendência dos eleitores é a evidente incúria do
governo lulopetista de lidar com a questão da segurança pública.
Registra-se, sob o governo petista, um aumento assustador da violência
urbana, enquanto no campo se sucedem as invasões da propriedade privada pelo
MST, uma entidade ilegal estimulada e financiada pelo governo.

A pesquisa que aponta o favoritismo de Serra, ainda que faltem três anos
para o pleito, combina-se com aquela que revela a rejeição popular à idéia
de um 3º mandato.

O Brasil, apesar de todos os pesares e apesar do PT e dos governos em geral,
da prevalência do absurdo patrimonialismo dominante, tem crescido. Sua
população já anda perto dos 200 milhões de habitantes e os problemas
multiplicam-se numa velocidade impressionante. Caso cresça mais os apagões
ocorrerão em todas as áreas cruciais da economia e da produção que vão do
suprimento de energia elétrica ao transporte.

Há, por outro lado, uma demanda pela lei e a ordem que vem sendo reprimida
pelo governo do PT. As pessoas se sentem cada vez mais desprotegidas e vêem
que o Estado, sob o comando de Lula e seus sequazes, as deixou órfãs de
segurança, de saúde, de educação e de transporte.

Avalizar um eventual 3º mandato é um salto no vazio. Repete-se na esfera
federal, ao que tudo indica, o que aconteceu com as administrações
municipais do PT.

O bom da democracia é a possibilidade da alternância do poder, embora isso
cause arrepios às centenas de "companheiros" que fazem a partilha do botim.
Sem um nome capaz de sensibilizar os eleitores e com uma prática política
que lhe deixa vulnerável os petistas já entraram em desespero. Por isso
apostarão tudo na proposta de "reforma da Constituição", eufemismo com o
qual tentam fazer com que a Nação engula aquilo que é um golpe de Estado.

Tal intenção estava baseada na mesma estratégia do coronel bufão Hugo
Chávez. O revés sofrido pelo golpismo comuno-fascista de Chávez foi
repudiado no referendo. Aliando-se tal fato aos resultados da pesquisa do
DataFolha tem-se um novo panorama político que se contrapõe ao golpismo e
reforça as posições democráticas.

A manobra golpista de Lula e seus sequazes já começa a ser torpedeada.

**http://oquepensaaluizio.zip.net
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Karl Leite
Natal, RN, Brasil
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