M O T E
  UM BISPO DE RABO CHEIO
  NUM QUÉ ÁGUA NO SERTÃO...
  G L O S A
   
  No sertão, uma gôta d'água,
  lhe juro nuis versos meus,
  é uma lágrima de Deus,
  qui tráiz fartura e bondade.
  Dom Cappio, na verdade,
  deu seu recado ao povão.
  Qué "istriquinino", irmão ?
  Lhe mando puro correio!
  UM BISPO DE RABO CHEIO,
  NUM QUÉ ÁGUA NO SERTÃO...
   
  Bob Motta
  NATAL-RN
  20.12.2007
  

Chl <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
          
      TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO
   
    Subject: "UM BISPO DE RABO CHEIO NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO" 

  
 
    Bispo Dom Cappio vira personagem de cordel 
   
  O mote é "Um bispo de rabo cheio/ Não quer água no sertão". O autor, Allan 
Sales, músico, poeta e compositor do Crato (CE), radicado no Recife. O 
personagem principal, o bispo de Barra (BA) Dom Luiz Flávio Cappio que, nesta 
terça (11), completou 15 dias em sua segunda greve de fome contra o projeto de 
transposição do Rio São Francisco. 
   
  I
   
  Meu sertão sofre com sede
  Mas tem um rio caudaloso
  O bispo religioso
  Falando na global rede
  Quer ser como uma parede
  Barrando essa redenção
  A água da salvação
  Do sertanejo um esteio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  II
   
  Esse bispo passa bem
  Tem casa e comida boa
  Mas meu sertão fica à toa
  Barrar isso não convém
  Transposição assim vem
  Trazer sim irrigação
  Do rio a preservação
  Faremos sem aperreio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  III
   
  Seu bispo acorde agora
  Assim falo da Ciência
  Da humana sapiência
  Que sabemos nessa hora
  Sua greve só piora
  É chantagem meu irmão
  Usando a religião
  O seu livrinho não leio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  IV
   
  O sertão da Paraíba
  Pernambuco e Ceará
  O Rio Grande será
  Livrado da pindaíba
  O sertão que deu Furiba
  No Piauí precisão
  Fome de sede e exclusão
  Quadro social tão feio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  V
   
  Encheu seu rabo colega
  Comeu depois arrotou
  O clero sempre empatou
  O bispo sim que refrega
  A pieguice não pega
  Chantagista de plantão
  Eu quero a Transposição
  Nisso greve não dá freio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  VI
   
  Os cabras do Vaticano
  Encanando nossa vida
  O meu sertão vai sem guarida
  Entra ano e sai ano
  Meu bispo é franciscano
  São Francisco em oração
  Pelos pobres a opção
  Nesse santo sim eu creio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  VII
   
  Ó meu bispo deixe disso
  O senhor apareceu
  Seu "marquetingue" cresceu
  Volte para seu chouriço
  Engordar o seu toitiço
  Com farta refeição
  Vinho bom, sardinha e pão
  E bom queijo no recheio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  VIII
   
  Bispo deixe de conversa
  Meu sertão vive à míngua
  Dobre logo sua língua
  E veja a forma diversa
  Que essa seca perversa
  Lasca tudo no torrão
  Morre o boi e o alazão
  Eu falo sem arrodeio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  IX
   
  Seu bispo tão pertinente
  O rio não vai morrer
  Temos como reverter
  A degradação presente
  Não quero sertão carente
  Eu quero a libertação
  Pro povo alimentação
  E a educação de permeio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
   
  X
   
  E assim vou encerrando
  Fica o dito por não dito
  No meu cordel segue escrito
  O meu pensar vou mostrando
  O meu sertão vou louvando
  Cariri minha oração
  Pajeú da inspiração
  De poemas grande veio
  "UM BISPO DE RABO CHEIO
  NÃO QUER ÁGUA NO SERTÃO"
  
  Allan Sales: Músico, poeta e compositor 
  Natural do Crato-CE e radicado no Recife desde 1969. Desde 1997 dedica-se ao 
cordel sendo autor de mais de 230 textos sobre os mais variados assuntos, sendo 
os temas políticos e os de humor os preferidos. 
   
  [EMAIL PROTECTED] 
   
   

  


  

                         

       
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