4 DE JANEIRO DE 2008 - 21h38
Masp reabre com novas exposições e mistério sobre segurança
O Museu de Arte de São Paulo voltará a funcionar na próxima semana, com a
reabertura para visitas na terça-feira (8) e a inauguração de duas exposições
na sexta, em meio a mistérios sobre novas medidas de segurança após o roubo de
duas telas em dezembro. Uma fonte ligada ao Masp, que pediu para não ter seu
nome divulgado, afirmou, sem dar detalhes, que algumas empresas privadas
fizeram doações ao museu para a instalação de equipamentos de segurança, como
alarmes ou sensores.
A assessoria de imprensa não confirma a informação. Diz apenas que há
novidades na segurança, mas pondera que a direção do museu só falará sobre o
assunto na terça-feira, em uma coletiva.
No último dia 20, uma tela de Picasso e outra de Portinari foram roubadas
durante a madrugada, fazendo com que o museu fechasse suas portas para
investigações, no pior incidente em 60 anos de história do Masp.
A instituição, até então, não possuía alarmes e a segurança era feita apenas
com homens não armados.
Após a reabertura da terça-feira, o Masp inaugura duas exposições na
sexta-feira, com festa para convidados na noite de quinta. A maior delas, que
irá ocupar o 1o e 2o subsolo do museu, é sobre o artista japonês Tatsumi
Orimoto, com 1.000 fotografias, 160 desenhos e 10 vídeos.
Na noite de quinta-feira, o artista fará uma performance na qual servirá uma
refeição tradicional japonesa, preparada por ele, para 50 avós da comunidade
nipo-brasileira.
A segunda exposição vem da Espanha e se chama Caçadores de Sombras, com 92
fotografias de 16 artistas que usaram a sombra como mote para seus trabalhos.
O Masp tem um calendário extenso para 2008, com mais outras 10 exposições
agendadas. Em abril, por exemplo, haverá uma mostra de desenhos espanhóis do
século 20, da Fundação Mapfre, que deverá trazer trabalhos de Picasso, Dalí,
Tapies e outros.
Câmaras na rua
Enquanto o Masp faz mistério sobre seu novo esquema de segurança, outras
medidas já foram tomadas para garantir pelo menos os arredores do museu.
A prefeitura pôs em operação no último dia 28 cinco câmeras de longo alcance
e alta resolução na avenida Paulista, endereço do museu. Elas estão ligadas à
central de monitoramento da Guarda Civil Metropolitana.
Das cinco câmeras, apenas uma visualiza o Masp, embora a Subprefeitura da Sé
tenha afirmado que a instalação já estava prevista e não foi acelerada por
conta do roubo.
Outra providência foi tomada pela Polícia Militar, que transformou o vão
livre do Masp em estacionamento de uma viatura para atender ocorrências locais.
Além da investigação da Interpol e das polícias Civil, Militar e Federal para
esclarecer o roubo, o Ministério Público Estadual também entrou no circuito
para avaliar se o museu tem condições de funcionar sem a necessidade de uma
intervenção.
O MPE está estudando documentos da área contábil do Masp para levantar o
tamanho da dívida da instituição, que chegou a ter a energia e o telefone
cortados em anos recentes por falta de pagamento.
Uma avaliação dos peritos do MPE deve sair a partir da semana que vem. O Masp
se comprometeu a entregar novos documentos ao órgão nesta sexta-feira.
Fonte: Reuters
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