*Os dedos de uma aliança*

*A *deputada Fátima Bezerra (PT) é da base de Wilma de Faria e tem ajudado o
governo do RN com emendas e reivindicações feitas na Câmara Federal. A
deputada Micarla de Sousa (PV) é da base de Wilma de Faria e sustenta o
governo na Assembléia Legislativa.

Fátima defende o governo Luiz Inácio como integrante da bancada petista no
Congresso. Micarla é da maioria verde que apóia o presidente, seguidora do
líder do PV, Luiz Pena, que pertence ao tal "conselho político" que se reúne
aqui e alhures com o chefão do Planalto.

Logo mais à noite, em entrevista ao Jornal da Cultura, o senhor Luiz Inácio
dirá uma frase, adiante aspeada, que reforça o que vem repetindo há semanas
na mídia, desde a primeira declaração ao blogueiro Josias de Souza: "A
sabedoria de quem conhece a grandeza do país é permitir alianças dentro da
lógica política de cada região".

Ou seja, noves fora, o companheirão não quer intervir nas particularidades
das cidades, muitas delas com candidatos da sua base aliada se enfrentando
em outubro. Semana passada já havia até criticado o PT por complicar a
unidade da base em algumas capitais e grandes cidades.

Em Recife, por exemplo, Luiz Inácio não botará os pés durante a campanha se
o sempre fiel PC do B lançar Luciano Siqueira a prefeito, tendo que
enfrentar um candidato da aliança PT-PSB (só faltou PMDB para repetir
Natal). A frase aspeada do presidente tem versões interioranas no Rio Grande
do Norte.

Aqui do lado, em Macaíba, os senadores Garibaldi Alves (PMDB) e José
Agripino (DEM) são unha e carne na sucessão do prefeito Fernando Cunha. A
chapa da dupla foi fechada durante o carnaval, primeira aliança definida no
Estado. Há cidades administradas pelos partidos de Wilma de Faria e José
Agripino.

Afora esses dados, que comprovam a condição de candidatos basistas tanto de
Fátima, quanto de Micarla, *o grande debate que ocorre nas rodas políticas é
em torno dos reais motivos que uniram Wilma e Garibaldi. Unanimidade para o
fator "segundo voto de senador" que favorece José Agripino em 2010.*

Só um medo eleitoral muito grande faria a roda grande entrar na pequena,
lembrava ontem um grupo de botafoguenses e flamenguistas diante da TV e
discutindo a aliança. *Alguém chegou a dizer que pela primeira vez no RN o
governo aderiu à oposição, invertendo uma fisiologia histórica e tradicional
dos nossos políticos.*

Se observarmos apenas a tal "lógica política regional" que fala o Luiz
Inácio, o PMDB de Garibaldi e Henrique e o PT de Fátima Bezerra são rodinhas
muito pequenas no espectro eleitoral e administrativo do Estado. O primeiro
se transformou numa legenda familiar, e o segundo é campeão de rejeição na
capital.

*A**o se dobrar para a artimanha do prefeito Carlos Eduardo, que preferiu
trair seu PSB para emplacar o PT na cabeça, a governadora Wilma de Faria não
só demonstrou pela primeira vez um certo medo das urnas futuras, como acabou
tangendo a maioria para o curral da minoria. Difícil vai ser controlar o
salto do gado na sua cerca.**
*

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