11/06/2008 - 20:25h 
Estudos neurocinematográficos 
Neurocientistas da New York University comprovaram em um estudo recém-divulgado 
que certos filmes exercem enorme controle sobre a atividade cerebral e que seu 
impacto sobre os neurônios depende do conteúdo, da edição do estilo de direção. 
De certa forma, todos já sabíamos disso. Faltava a comprovação científica. 
Grosso modo, o estudo funcionou assim, de acordo com matéria do site 
ScienceDaily: os cientistas fizeram ressonâncias magnéticas nos cérebros de um 
grupo de pessoas ao longo da exibição dos filmes e depois compararam os 
resultados para ver como eles estimularam as regiões do neocortex (responsável 
pela percepção e cognição). Foram usados quatro produtos audiovisuais no 
estudo: 30 minutos do faroeste “Três Homens em Conflito”, de Sergio Leone, um 
episódio da série “Bang! You’re Dead”, de Alfred Hitchcock, um episódio de 
“Curb Your Enthusiasm”, de Larry David, e uma tomada de 10 minutos, sem edição, 
de um show em Nova York. 
Aqui vão os resultados: o episódio de Hitchcock provocou respostas similares de 
todos os pesquisados em mais de 65% do neocortex, indicando um alto nível de 
controle do cérebro dos espectadores; “Três Homens em Conflito” chegou a 45%; 
“Curb Your Enthusiasm” ficou em 18% e o clipe do show, 5%. 
“O fato de Hitchcock ter sido capaz de orquestrar respostas de tantas regiões 
diferentes do cérebro, ligando e desligando-as no mesmo momento em todos os 
espectadores, pode servir como prova neurocientífica de sua famosa habilidade 
de manipular a mente da platéia. Hitchcock gostava de dizer a seus 
entrevistadores que, para ele, a criação é baseada em uma ciência exata das 
reações do público”, escreveram os pesquisadores. 
Segundo eles, a pesquisa pode abrir caminho para um novo campo de conhecimento, 
que poderia ser batizado de “estudos neurocinematográficos” e ser usado por 
teóricos do cinema. Mas não duvido nada que a indústria cinematográfica se 
interesse pela pesquisa para controlar de vez a mente dos pobres espectadores. 
enviada por Ricardo Calil 

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