Mentiras e mistificações
As pessoas são livres para fazer suas escolhas. Em todos os campos. E eu tenho 
o maior respeito pelas escolhas alheias. Para que respeitem as minhas. Para que 
tenhamos também uma convivência com mais tolerância. Agora, essas escolhas não 
podem ser justificadas com base na mentira histórica ou na mistificação. A 
história não pode ser adulterada para se adequar à vontade ou caprichos 
pessoais. A morte pode muito, menos transformar bons em maus e maus em bons. 
Embora num país que cultiva tão pouco a memória como o Brasil, esse risco 
esteja sempre presente. A revisão histórica se torna ainda mais escandalosa 
quando parte de pessoas esclarecidas, algumas até cultas, porque aí a mentira 
soa cínica, interesseira. Porque sabemos que aquela pessoa sabe exatamente como 
os fatos ocorreram, mas deturpa e confunde propositalmente, movida por 
interesses pessoais os mais variados. Nem a gratidão, que Dom Quixote, instado 
por Sancho, diz ser uma das
 mais importantes qualidades humanas, pode se sobrepor à verdade. Por isso, soa 
estranho que se venha agora a público, como ocorreu recentemente em um programa 
eleitoral, dizer-se que o ex-senador Carlos Alberto de Souza foi um bom 
político. Quem acompanha a política do Rio Grande do Norte sabe que a 
trajetória de Carlos Alberto foi marcada pelo oportunismo, populismo, demagogia 
e reacionarismo. Começou sua carreira no antigo MDB, passou por vários 
partidos, até chegar a líder do último governo da ditadura militar, o Governo 
João Figueiredo, e defensor do “inquérito” forjado pelo militares para abafar o 
Riocentro. Como prêmio ganhou o seu canal de televisão. Uma trajetória como 
essa não pode ser enaltecida e nem servir de modelo para ninguém.
Tácito Costa
Data: 03/09/2008 - Horário: 17h39min


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