São Paulo, sábado, 13 de setembro de 2008

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*Montadora já faz motor "mais limpo", mas só para exportar*

*AFRA BALAZINA*
 DA REPORTAGEM LOCAL

A Anfavea (representante das montadoras de veículos) admitiu que produz no
Brasil motores com tecnologia exigida pela Europa para exportação, que são
adaptados ao uso do diesel S-50. Esse combustível, muito mais limpo do que o
usado no Brasil atualmente, deveria entrar em vigor no próximo ano. No
entanto, a Petrobras condiciona o fornecimento do diesel à existência de
motores novos.
Segundo a Anfavea disse à *Folha*, por e-mail, "é fato que as montadoras já
fabricam no país motores e veículos da norma Euro IV [adequado ao diesel
mais limpo] para exportação". Porém, a representante alega que eles são
produzidos no Brasil levando em conta as especificações do diesel de cada
país importador.
"Sua utilização para equipar veículos para o mercado brasileiro implicaria a
realização dos mesmos trabalhos de desenvolvimento exigidos para os produtos
nacionais", diz.
A entidade diz que precisa de três anos, desde a especificação do
combustível pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), para testar o novo
diesel e colocar o motor no mercado nacional. Como a especificação ocorreu
somente em novembro de 2007, a Anfavea diz ter prazo até 2010 para se
adequar.
Porém, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta semana que
irá exigir que a norma seja cumprida e que não haverá prorrogação ou
exceção. Segundo ele, quem não cumprir a resolução 315 do Conama (Conselho
Nacional do Meio Ambiente), que prevê o combustível menos poluente em 2009,
terá de se entender com a Justiça.
A Anfavea rebate. "O prazo de três anos é absolutamente necessário ao
desenvolvimento de novos motores, tal a sua complexidade, exigindo novos
parâmetros tecnológicos, calibração, testes em bancada, testes de campo,
homologação, desenvolvimento de fornecedores e outros requisitos."
Entidades ambientalistas defendem que a Petrobras e a Anfavea importem os
motores e o diesel limpo caso não consigam produzi-lo. Porém, a Anfavea
afirma que isso não é viável.
"Ao contrário do que se afirma, não é possível simplesmente transplantar
para o país tecnologias de motores Euro IV produzidos no exterior ou
importá-los e incorporá-los aos veículos aqui produzidos", diz.
Segundo ela, isso ocorre porque as especificações são definidas
considerando-se "as características de cada país e região, como relevo,
altitude, temperatura, condições de operação".

*Exportação*
No ano passado, foram exportados 3.000 caminhões para a Europa -de um total
de 41.200 exportados.
Neste ano, sabe-se que, dos 109,1 mil caminhões produzidos no país, um total
de 26 mil foram exportados -mas não foi informado para que países
especificamente.

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