20 DE SETEMBRO DE 2008 - 23h09
"Linha de Montagem" recupera origens do sindicalismo 


O relançamento, em cópia restaurada, do documentário "Linha de Montagem", de 
Renato Tapajós, representa uma façanha. Por muito pouco, o filme realizado 
entre 1979 e 1981 e lançado em 1982 não foi apreendido pela polícia e depois 
destruído pelo bolor.


O filme retrata o surgimento das maciças greves dos metalúrgicos no ABC 
paulista 

 
 
O tema do filme, que entrou em cartaz nesta sexta (19) em São Paulo, Campinas e 
Brasília, é o surgimento das maciças greves dos metalúrgicos de São Bernardo do 
Campo, em São Paulo, no final dos anos 70, de onde surgiria um novo líder, Luiz 
Inácio da Silva, ainda sem ter incorporado ao próprio nome o "Lula", que era o 
seu apelido na fábrica e no sindicato de São Bernardo, que ele presidiu.

Por esse motivo, o documentário que chega às telas é uma rara oportunidade de 
analisar o surgimento de um movimento social, que contribuiu para o fim da 
ditadura e deu origem a um novo partido, o dos Trabalhadores.

Imagens das assembléias do estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, 
às vezes lotadas com cerca de 100.000 operários, são uma prova da força das 
manifestações. Isso num momento em que ainda estava em vigor a ditadura 
militar, que usava contra os líderes grevistas instrumentos como a Lei de 
Segurança Nacional, que levou o próprio Lula à prisão.

A cópia que deu origem às que chegam às telas, restaurada por uma verba de 860 
mil reais da Petrobras, aliás, quase se perdeu. Ficou por quase 20 anos, a 
partir de 1984, depositada na Cinemateca Brasileira. Sem condições ideais de 
conservação, quase foi consumida pelo bolor. A restauração exigiu que fossem 
tratados um a um cerca de 98.000 quadros, além de um trabalho de transferência 
para película.

Lançado pela primeira vez em 1982, época em que ainda havia censura prévia, o 
documentário foi exibido publicamente pela primeira vez na sede do Sindicato 
dos Metalúrgicos de São Bernardo, onde cabiam cerca de 2.000 pessoas. No meio 
da sessão, chegaram agentes da Polícia Federal, com ordens de apreender o filme 
-- que não tinha certificado de censura.

Depois de uma negociação entre os policiais, Lula, Chico Buarque de Hollanda 
(autor da trilha do filme) e o então prefeito de São Bernardo, Tito Costa, 
decidiu-se que o filme seria entregue, rolo a rolo, às autoridades. Ao invés 
disso, saiu pela janela diretamente para a sacola de uma faxineira, Maria 
Elicélia Feitosa da Silva, a Zelinha, que o encaminhou para outras mãos.

Esta história, porém, não está em "Linha de Montagem" e sim em outro 
documentário, "Peões", de Eduardo Coutinho. O filme de Coutinho, aliás, 
complementa este trabalho, por abordar igualmente o universo operário.

Trailler do documentário "Linha de Montagem" pode ser assistido no Youtube, no 
endereço: http://www.youtube.com/watch?v=B3bl4bzhQ5w



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