Obrigado meu amigo Cefas, 
 
Pela publicação do nosso humilde e despretensioso "cordezin" "Matuto sem 
Instrução". Esse cordelzinho eu fiz em homenagem ao meu querido e já falecido 
pai.
 
Um abraço
Bomfim.





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--- Em ter, 30/9/08, Cefas Carvalho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

De: Cefas Carvalho <[EMAIL PROTECTED]>
Assunto: Texto da segunda 29 setembro
Para: [EMAIL PROTECTED]
Data: Terça-feira, 30 de Setembro de 2008, 10:35




Cara(o) amiga(o),
Mais uma vez tomo a liberdade de te enviar este apanhado de textos e poesias, 
como faço há coisa de três anos. Nesta semana, envio o seguinte:
1 – Crônica de minha autoria: "Minha vida de cineclubista".
2 – "Beba-me, e eu andarei sobre estrelas", de Mário Ivo.
3 – de Mariza Lourenço: "De bruxas".
4 – Do poeta Manoel Bomfim, "Matuto sem instrução".
 
É isso. Boa leitura e mantenha contato.
 
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Minha vida de cineclubista
 
Cefas Carvalho
 
Houve um tempo em minha vida em que eu passava mais tempo nos cineclubes e nos 
bares do que em casa. O curioso era como eles estavam relacionados entre si. 
Era como se fosse impossível assistir um filme nos cineclubes sem a discussão 
depois, regada a chopes e tira-gostos. Bem, os bares, por si sós, dariam um 
texto á parte, longo e cheio de história. Falemos nos cineclubes, por ora. 
Atrevo-me a dizer que sem eles minha adolescência não teria sido a mesma coisa. 
Descobrir o Cineclube Estação Botafogo, em meio às futilidades e 
idiossincrasias dos jovens cariocas dos anos oitenta, foi uma revelação divina. 
Lembro do primeiro filme que assisti lá, entre os quinze e dezesseis anos: 
"Nós, que nos amávamos tanto", de Ettore Scola. Foi um deslumbramento. Tanto o 
filme em si – lindo como poucos – como a sensação de estar em companhia de quem 
também amava cinema e o discutia. Assisti a muitos filmes sozinho: "O baile", 
"Carmem", "Veludo Azul" (este pela terceira ou quarta vez), e muitos outros. 
Aos poucos fui ganhando amizades que gostavam de cinema e comecei a ir ao 
Estação em turma. Recordo de Paulo de Tarso, o Kalunga, Anderson Háber, João 
Marcelo, Paulo César, Rubinho Jacobina (estes, amigos meus até hoje), Sérgio 
Rueda, Pluft, Alan Kilder, Carluxo, Gabriela, Mônica, Maira, além das amizades 
feitas no próprio Cineclube ou na livraria em anexo onde comprei livros raros 
que me acompanham até hoje, e também cartazes de cinema que decoraram meu 
quarto por muitos anos. Foi quando começou a fase do Cineclube-Bar. Havia o Bar 
do Ópera, o bar do Casseta e Planeta, o Amarelinho na Cinelândia, os botecos 
sem nome, onde bebíamos em pé e era prova de macheza comer ovos cozidos 
coloridos.
Até hoje tem filmes que identifico com os cineclubes. Como "Os demônios", de 
Ken Russel, que eu Paulo César assistimos no Estação Botafogo e ao fim, 
iniciamos uma salva de palmas que durou minutos. Meses depois, um amigo que 
disse que a hábito que bater palmas após as sessões havia virado moda no 
cineclube. Houve também "Saló", de Pasolini, o filme mais barra pesada do 
mundo. Trinta pessoas pagaram ingresso e só vinte chegaram até o final da 
sessão. Recordo também de "O anjo exterminador", de Buñuel, quando, ao fim, 
para fazer blague com a trama do filme, eu e Paulo Kalunga fingimos não 
conseguir sair da sala de exibição do Estação Botafogo. Teve outra vez que 
assisti a "Tommy" no Centro Cultural Cândido Mendes munido de quatro camparis 
no cérebro...
Fui morar em São Paulo, e aí começou meu caso de amor com os finados Cinecubes 
Bijou e Oscarito. Mais solitário do que gostaria, acabei tendo companhia em 
Bergman, Kurosawa e Antonioni nas noites frias paulistanas. Depois ia para 
alguma cantina no Anhangabaú ou no Brás (onde morava) beber vinho quente com 
canela e escrever sobre os filmes assistidos. Mas, a cultura de cineclube não é 
feita só com medalhões. Havia os filmes desconhecidos, de diretores que ninguém 
conhecia e vindos de países longínquos. É preciso lembrar que eram tempos 
pré-Internet e pré-Google. As pesquisas sobre filmes eram feitas na marra, com 
base nas revistas (ah, a saudosa Cinemim e a resistente Set) e no boca a boca. 
Um amigo sabia quem era um misterioso diretor polonês, aí indicava para os 
outros, e assim por diante. Desta forma, assisti a muitos filmes estranhos, 
como "Repo Men", "Liquid Sky", "Fome de viver". Havia as sessões surpresa. 
Pagávamos a entrada e
 sentávamos sem saber qual seria o filme exibido. Isso sem falar das sessões à 
meia noite.
É necessário falar ainda do Cineclube Natal. Poucas vezes o freqüentei nos idos 
tempos, mas particularmente lembro-me de uma vez, na qual eu e Paulo César 
assistimos "Apocalypse Now", quase em frente ao Colégio Maria Auxiliadora, em 
1988, sob efeito de, digamos, substâncias estranhas. O drama de guerra já é 
estranho por si só, então, juntamos Tomé com Bebé, como se diz no interior. 
Claro que estes dias atuais de DVD, Moviecons e Cinemarks são bons, mas nada 
supera o charme da cultura cineclubista. Que tenta voltar. Vale a pena 
registrar o belo trabalho de Nelson Marques e companhia com o cineclube Natal, 
que exibe bons filmes (já assisti lá, entre outros, "Café da manhã em Plutão" e 
"9 canções"). O Cineclube Natal exibe filmes no TCP, Nalva Salão Café e 
Assembléia Legislativa. Maiores informações no blog 
www.cineclubenatal.blogspot.com 
 
**************
 
 
BEBA-ME, E EU ANDAREI SOBRE ESTRELAS


Mário Ivo


Beba-me, e engoliremos a noite.
Beba-me, e as nuvens deixarão fiapos soltos entre dentes nossos.
Beba-me, enquanto minha boca busca tua mordida. Enquanto tua boca ronda meu 
pescoço. 
Enquanto tua mão colhe plantas e flores no calor do meu sexo. Transplantados ao 
teu. Haste úmida, respiro aquático.
Beba-me, enquanto dançamos à beira do abismo, princípio nosso de cada fuga que 
fazemos antes do amanhecer.
Beba-me, mate-me.
Beba-me enquanto me comes.
Só não me abandones.



 
*******************


De Bruxas
 
Mariza Lourenço


Toda mulher tem caldeirão e colher de pau pra mexer suas panelas. 

Toda mulher invoca a lua quando menstrua. E amarga o pão que o diabo amassou. 

Toda mulher tem um gato dentro do ventre (que mia). 

Toda mulher tem lá seus desejos de vingança (daqueles bem secretos). E, um dia, 
haverá de querer saber da própria sorte. 

Toda mulher é bruxa... Mesmo que não admita.
 
 
******************************
 
MATUTO SEM INSTRUÇÃO
 
Manoel Bomfim
 
Moço na minha vida inteira 
Pouco eu aprendi a ler 
Fiz da roça minha escola 
Capinar era o dever 
  
A caneta... uma enxada 
A terra... o meu caderno 
O livro... a mata fechada 
Tanto no verão ou inverno 
  
Tudo lá no meu sertão 
A gente aprende sozinho 
Pegar cobra com as mãos 
Imitar os passarinhos 
  
Amolar foice na pedra 
Laçar boi brado no mato 
Fazer da raiz remédio 
Pular cerca que nem gato 
  
Mas, quando eu era menino 
Tinha na mente a ilusão 
Crescer e ir embora pra longe 
Pra distante do sertão 
  
Morar na cidade grande 
Junto a civilização 
Esse era o maior sonho 
Desse filho de peão 
  
Hoje moro na cidade 
Mas, vivo apavorado 
Porque aqui num é lugar 
Pra cristão de Deus morar 
  
Tudo é tão diferente 
Das coisas do meu sertão 
De dia é uma zoada danada 
Dos carros pra lá e pra cá 
  
Você não escuta ninguém 
Muito menos ouve o irmão 
E o povo quase nem conversa 
De olho na televisão 
  
Não se vê estrela no céu 
Nem liberdade pra viver 
O povo vive trancado 
Com medo de ser roubado 
  
A rua cheia de ladrão 
Com as pessoas lado a lado 
Ao invés dele ser preso 
Prende-se a população 
  
Veja só a situação 
Cada casa é uma cadeia 
Cheia de grade de ferro 
Cada lar é uma prisão 
  
E... quando eu era menino 
Tinha na mente a ilusão 
Crescer,  vir pra bem longe 
Pra distante do sertão 
  
Morar na cidade grande 
Junto à civilização 
Hoje vive um pesadelo 
Esse matuto sem instrução 
 
 
 


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