DIÁRIO DE NATAL
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Romance com base em metáforas e ficção 




O jornalista e publicitário Mário Ivo Dantas Cavalcanti cedeu à reserva natural 
de um cara tímido e, finalmente, lança seu primeiro livro, o Cartas Náuticas, 
hoje na Siciliano do Midway Mall, às 19h, pela Editora Flor do Sal, ao preço de 
R$ 20. Se esse texto fosse uma carta para o leitor eu poderia começar dizendo 
que o ‘‘finalmente’’ revelado acima, diz respeito ao fato de que quem conhece 
um pouco o que o Mário Ivo produz em seu blog, o Cidade dos Reis, já era tempo 
de ele transformar o virtual em objeto real e palpável, ou seja publicar um 
livro e entregar pro mundo.

Não que haja negação da possibilidade de se dar uma relação de contato, e todas 
as suas implicações, entre quem escreve e lê na Internet. Mas a forma epistolar 
escolhida por ele para escrever o seu primeiro romance - e com textos inéditos, 
nunca dantes publicados - lhe pareceu muito mais interessante para ser 
transformado num ‘‘objeto palpável’’, depois que recebeu o convite do Adriano 
de Sousa, que juntamente com Flávia Assaf são os editores responsáveis das 
Edições Flor do Sal. ‘‘Ele sugeriu uma antologia dos textos do meu blog. Na 
verdade, no começo, eu não queria publicar nada. Ele até se propôs a fazer a 
seleção. Aí me lembrei que tinha esse projeto engavetado, o Cartas Náuticas, 
que era maior, revi e achei melhor que o velho apanhado do blog. Ele gostou e 
aí estᒒ.

Cartas Náuticas é na explicação do autor, um livro que não traz em si o formato 
tradicional de um romance epistolar. Mas que tem uma estrutura lógica, 
implícita, já que a linguagem usada é muito metafórica e completamente 
ficcional. Até mesmo o ‘‘M’’ assinado no final de todas elas, não é do próprio 
nome do autor, insistiu em dizer. ‘‘Não é um romance com personagem bem 
construído ou com personalidade delineada. Aparentemente não tem começo, meio e 
fim, mas o livro tem temporalidade. E muitas lacunas propositais, a maior delas 
é a ausência de respostas. É como se coubesse ao leitor preencher essas lacunas 
e criar a interligação entre os personagens’’. E é aí onde mora o segredo, ou a 
diferença, entre cartas comuns escritas a mão e encaminhadas pelos Correios - 
antes do fenômeno da grande rede - ou as da atualidade, cada vez mais ágeis que 
viajam pelos cabos, ondas de rádio ou satélite, mais conhecidas por
 e-mails. A ausência de respostas em Cartas Náuticas constitui a ligação entre 
o escritor e o leitor. A partir do momento em que se estabelece essa relação 
entre quem escreve e quem lê, e o texto ganha vida própria e interpretações 
diversas nas mãos alheias, está consumada a literatura. E no caso do Mário Ivo, 
fazer literatura, escrever, não é algo satisfatório ou prazeroso. Mas sim, 
antes de tudo uma necessidade. 

Encarar logo mais a noite de autógrafos não lhe parece tarefa das mais fáceis. 
Confessa que não ficará muito à vontade. Entretanto, longe de ser uma 
constatação arrogante, vem a conformidade: ‘‘Acho que é uma experiência válida, 
que eu precisava passar. Principalmente se for válido por alguém ler e gostar. 
A festa em si não me interessa muito pelo lado do ego, da exposição’’.

Admitindo que essa ‘‘necessidade’’ é por vezes algo ‘‘dolorido’’, um dos pontos 
que ele mais gosta de falar do livro é sobre as ilustrações escolhidas tanto 
para a capa quanto para as páginas compostas por mais de 27 cartas e 10 
bilhetes: ‘‘Eu gosto muito do trabalho do artista plático Isaías Ribeiro. Ele 
tem um blog, o Obra-Total e tem uma série intitulada Dunas. Gostei muito quando 
vi. As dunas se movendo trazem uma coisa meio abstrata, árida, lembra também 
oceano, o que tem tudo a ver com as cartas náuticas, que pressupõem travessia, 
então essa é a parte boa da coisa. Estou muito feliz com a presença do Isaías 
no livro’’.

Todo escritor sabe que escrever é um ato solitário e de isolamento. Mas, assim 
como quem escreve cartas - independente de ser um autor de livros - há uma 
consciência de que alguém lá do outro lado está esperando para ler. ‘‘Carta 
pressupõe diário, que por sua vez é muito pessoal e que pressupõe intimidade, 
algo compartilhado só com outra pessoa. É o leitor, de certa maneira, 
escrevendo a história, pelo silêncio’’.

Cartas Náuticas

Lançamento
Dia: hoje
Hora: 19h
Local: Siciliano do Midway Mall
Preço: R$ 20.

Sheyla Azevedo
Da equipe do Diário de Natal 


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