Belo texto de Laélio e sugestão de bom programa, estou pensando em ir
qualquer dia desses, mas farei diferente, alugarei uma canoa e ficarei nas
proximidades, bicho do mato como sou, não me misturo a muitos humanos, além
do mais sái mais em conta bebericar meu próprio uísque que pagar o preço
provavelmente alto que o Iate Clube cobra.
*MINHA IRMÃ PRAIEIRA*
Meses atrás, chegando de viagem, encontrei nas folhas, na mídia toda , um
qüiproquó cabeludo, uma discussão, uma disputa, em torno da inauguração – e
do nome - da Praça "Pôr-do-sol", no Canto do Mangue. *To be or not** to be:
that is the question* : Othoniel Menezes ou Saint Exupéry?
Essa era a questão em torno do nome do logradouro tradicionalíssimo,
envolvendo a Prefeitura e alguns estudiosos da nossa combalida "cultura
potiguar". O diacho é que a praça já tinha sido inaugurada, merecendo, na
efeméride, a entronização de uma baita estátua (não sei se de bronze mesmo,
como manda a regra) do piloto e escritor francês, sentado num dos bancos,
olhando o fervilhar de cores do poente no velho rio de Felipe Camarão e de
Pero Mendes de Gouveia...
Depois da grita dos historiadores, o Município voltou atrás: enfurnou em
algum depósito a estátua do francês fidalgo e ilustre, deixou de lado mais
um dos mirabolantes factóides sobre a passagem do autor do "Pequeno
Príncipe" pela Potiguarânia e, apesar de algumas promessas vagas, olvidou,
mais uma vez, o natalense Othoniel, o autor da "Praieira". Deixa prá lá!
Othoniel era meu Pai e me chamava de "Lelinho" – eu, o caçula, um dos dois
temporãos que Maria da Conceição lhe dera, um atrás do outro, nos últimos
dois anos dos conturbados anos 30. Fui, de todos os outros filhos, o único
canguleiro, nascido numa casinha modesta da rua Ferreira Chaves, na velha
Ribeira de guerra, a poucos passos do "Potengi amado" e do Canto do Mangue.
Se Exupéry, segundo Woden Madruga, pescou ou não pescou siri no Canto do
Mangue, esqueçamos pois, todos, a querela inútil, a arenga provinciana. Se
Othoniel e Eduardo Medeiros (autor da música da "Praieira") foram
deslembrados pelo Poder Municipal, outro valor, agora, mais alto se alevanta
nos ocasos natalenses, ali, na velha Ribeira – tão canguleira quanto eu.
Esse arrodeio todo foi necessário para que eu, agora, pudesse homenagear o
Iate Clube de Natal , à Fundação Hélio Galvão e a William Collier , que
promovem, juntos, "à margem verde do rio", um belíssimo espetáculo no
pôr-do-sol – que não é só para turista ver! – de cores, sons, lembranças e
saudades!
Minha irmã, "Dona Praieira" – vetusta e sobranceira aos oitenta e seis anos,
querida tanto por xarias quanto canguleiros – está lá, no Iate, rediviva,
bonita como os seiscentos na voz modinheira de Fernando Tovar!
*Laélio Ferreira de Melo, poeta e pesquisador*
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