Cultura

 



 

ARTES VISUAIS
Destinos da pintura
Exposição panorâmica da arte emergente na última década privilegia a pintura 
realizada por essa geração

por Paula Alzugaray






Se em anos recentes o vídeo e a fotografia tiveram presença marcante em salões, 
bienais e coletivas - em certos casos, preponderante até -, temos hoje uma 
panorâmica em que a pintura é o destaque. Com o intuito de mapear a arte 
contemporânea produzida por jovens artistas nesta primeira década do século 
XXI, a mostra Nova arte nova reconhece a diversidade de técnicas e propostas 
dessa geração, apresentando esculturas, objetos sonoros, desenhos, fotografias, 
vídeos e instalações (poucas). Mas a marca da pintura é aqui incontornável. 
Quase um terço dos 56 artistas de 14 Estados brasileiros, em exposição no CCBB 
RJ, apresenta trabalhos em pintura ou obras desenvolvidas a partir de questões 
próprias do âmbito da representação pictórica. Esse é o caso, por exemplo, das 
fotografias do amazonense Rodrigo Braga, que elabora arranjos com peixes, 
frutas e legumes, remetendo ao gênero clássico da pintura de natureza-morta, ou 
das
 esculturas do carioca Felipe Barbosa, que faz composições com casas de 
pássaros, em referência às bandeirinhas do pintor Alfredo Volpi.por Paula 
Alzugaray






Entre os jovens pintores selecionados pelo curador Paulo Venâncio Filho há 
desde aqueles já inseridos no circuito, como Tatiana Blass, Vânia Mignone, 
Henrique Oliveira e Marcone Moreira, até artistas que estão colocando seu 
primeiro pé no mercado, como Bruno Miguel, Gisele Camargo ou Alice Shintani. Ao 
cercar as várias expressões contemporâneas da pintura, Venâncio assume uma 
direção definida e deixa de se aprofundar em outros campos muito transitados 
pelos artistas hoje: os terrenos




conceituais, imateriais, virtuais ou digitais, que efetivamente representam o 
"fenômeno novo" perseguido pelo curador. Mesmo diante dessa lacuna - um 
panorama é, afinal, um recorte que não pode dar conta da totalidade de um 
contexto -, a exposição enche os olhos pela qualidade e quantidade de obras e 
atesta a vitalidade do que está surgindo no horizonte. Um vigor que a 28ª 
Bienal de São Paulo, encerrada no sábado 6, definitivamente não apresentou.






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