Diário de bordo por carlão de souza (bob pai)
 
 
Poetas
Os poetas da modernidade são os músicos, cantores, compositores. Quem não canta 
a sua cidade, sua aldeia, passa batido. Pedrinho Mendes tem uma canção linda 
sobre Natal. Caetano Veloso tem uma fantástica sobre São Paulo. Lou Reed tem 
uma sobre New York. “New York City, oh I love you”.

Músico
Há uns tempos, alguém perguntou a Lou Reed se ele iria continuar fazendo rock 
apesar da idade. Ele disse, “eu faço música, não me preocupo em dar um nome a 
isso”. Outro cara perguntou por que ele era republicano. Ele disse, “tudo que 
eu tenho a dizer está nas minhas músicas”. Aliás, o poeta Adriano de Sousa 
também disse isso.

Ideologia
Ser republicano hoje é concordar com toda a merda produzida pelo senhor Bush & 
família. Lennon era uma espécie de Gandhi sem o ascetismo. Um líder, um imã, um 
cara acima da mesmice como Jesus... Resultado: assassinados. Líder como 
Mandela, Dom Helder, Bispo Tutu, Dalai Lama: Resultado: silenciados. Os 
verdadeiros homens. A humanidade é um cocô ambulante, um fungo, tem que ser 
exterminada logo, com tsunamis ou bombas atômicas. Não somos viáveis, cara. 
Vamos acabar logo com isso.

Noite
Então não me importo com a ideologia de Lou Reed. Prefiro ouvir seus discos na 
madrugada. Falando em dor, na espada de Dâmocles sobre nossas cabeças. Câncer, 
AIDS, síndrome de down, mal de alzemheimer, mal de Parkinson... Puta que pariu, 
que Deus malvado é este??????!!!!!!!!!

Som
O segundo disco de Carito e os Poetas Elétricos é de uma sonoridade inusitada. 
Eu escuto, escuto e nunca me canso de explorar. Porque ali está um futuro, uma 
atualidade, uma percepção de portas abertas. Quanto mais eu escuto mais gosto. 

Fúria
Tem muito neguinho metido a inteligente e bonitinho que escuta Nação Zumbi e 
nunca ouviu falar em Josué de Castro. Não compreende aquele grito de Chico 
Science, “Ô Josué!!!” Mas alguns sabem. Josué de Castro, o profeta da fome. O 
homem que soube explicar a fome do Nordeste brasileiro. Ele era contra Gilberto 
Freyre, mas eu não conheço ninguém no Brasil que não tenha lido estes homens e 
entendam o nosso país. 

Paixão
Chico Science era um office boy (detesto este anglicismo, mas gosto do 
pseudônimo de Chico) que fazia música nas horas vagas, amava os Beatles e 
Ariano Suassuna e morreu batendo a merda de um fiatizinho num poste a caminho 
de Olinda aonde ia se encontrar com seu ídolo Ariano. O velho mestre detestava 
e ainda detesta o som das guitarras elétricas. Som que eu e Chico amamos desde 
nascidos. Chico está no céu (dos malucos) e eu estou aqui ainda no inferno dos 
(certinhos). 

Borréia
O problema, meu velho é que os meninos ficaram burros. Não tem mais religião, 
não tem filosofia, não tem porra nenhuma. Só tem o velho capitalismo e a MTV 
dizendo, temos que ganhar muito dinheiro para dar carrões, mansões e jóias para 
nossas gatinhas se não elas vão nos deixar, cara. Elas vão deixar pelo primeiro 
que oferecer mais, man. 

Fuleragem
Aí os caras pegam o carrão do painho e saem fazendo merda. Porque as meninas 
acham legal (claro que elas acham, também ficaram burras). A estética dançou. 
Ninguém mais sabe o que é bom ou ruim. E o que diabos eu tenho com isso? Vão se 
réiar, porra! 

Pium
É o retrato cagado e cuspido de nossas diferenças. Boyzinhos passando com seus 
carrões com som alto, gente mal educada que não quer respeitar uma simples 
faixa de pedestre, lixo jogado em qualquer lugar. Mas o bom é que eles passam e 
vão para as praias, infernizar Mario Ivo em Pirangi. Porém aqui tem muita gente 
boa também, meu caro, pois o mundo é este velho mistério. 

Música
Um jornalista do sul disse que se John Lennon estivesse vivo estaria mais 
conservador, fazendo músicas românticas e até um pouco otário. Duvido muito. 
Lennon só era otário porque não conseguia compreender um fenômeno pop 
inaugurado por ele mesmo. Ídolos fabricados pela mídia não podiam andar pelas 
ruas calmamente e Roberto Carlos sempre soube disso. Eles são prisioneiros da 
própria fama. Daí a levar um balaço pelas costas é só um segundo. 

Mídia
A diferença é que Lennon e Roberto Carlos (apesar da breguice intrínseca) são 
artistas de verdade. Agora, os fabricados sofrem do mesmo jeito, guardadas as 
devidas proporções. Bruno e Marrone, negões joiados, Fábio Júnior, Aviões do 
Forró, Kalipso, gostosas platinadas, morenas... Passam. Eles não. O que mantém 
esses caras como Roberto e John e Reed, vivos, é a arte que eles produzem. 
Genuína, sem concessões. 

Pop
E por falar nisso, achei a vovó Madona chatíssima (como eu acho a maioria dos 
blogueiros desta terra vã) nessa passagem pelo Brasil. Deus a tenha, Maria de 
Lourdes...

Arte
Geraldinho Carvalho é e sempre foi um grande artista potiguar. Conheci o irmão 
dele em Mossoró. Toca e canta tão bem quanto ele. Conheci no sebo de Marcos 
Almeida, o Sêbado, um sebo que só abre aos sábados em Mossoró (não sei se ainda 
continua abrindo). O segundo disco de Geraldinho é tão incrivelmente belo 
quanto o primeiro. Não entendo porque as pessoas ainda não perceberam isso. Ah, 
Natal! Por que não virastes uma Nova Amsterdam? Ah, Natal, por que não podes 
ser uma Nova Recife?




Incluído em: 03/03/2009



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