um trexo de sua entrevista a folha de são paulo.
“Nesta altura do campeonato, quando o vale-tudo se apoderou das artes
plásticas, a qualificação de "conservador" perdeu sentido. Conservador por quê?
Por diferenciar expressão e arte? No meu entender, toda arte é expressão, mas
nem toda expressão é arte. Se me machuco e grito de dor, estou me expressando;
não estou produzindo arte. Da mesma maneira, se alguém começa a bater numa
lata, emite sons; não cria música. (...) Arte, portanto, pressupõe o "saber
fazer". Saber pintar, saber dançar, saber esculpir, saber fotografar, saber
tocar, saber compor. Tal critério prevaleceu durante milhares de anos, desde as
cavernas até o advento das vanguardas, no final do século 19, período em que se
questionou o "saber fazer". Pois bem: sob a minha ótica, a preocupação
vanguardista é um fenômeno que se esgotou. Por milhares de anos, a arte seguiu
adiante sem ligar para o conceito de vanguarda. Ninguém me convencerá de que,
em pleno século
21, crucificar-se na traseira de um Fusca, deixar-se filmar cortando a vagina
ou masturbar-se numa galeria equivale a um gesto artístico. Segundo o
norte-americano John Canaday, historiador da arte, os críticos de hoje temem
repetir o erro cometido pelos críticos do século 19, que não compreenderam os
impressionistas. Em conseqüência, assinam embaixo de qualquer bobagem que
levante a bandeira do "novo". Percebe a armadilha? Caso três ou quatro artistas
resolvam espremer uma bisnaga de tinta no nariz de um crítico, ouvirão dele que
praticaram um ato inovador. Definitivamente, não penso desse modo.”
Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! +Buscados
http://br.maisbuscados.yahoo.com