Poemas de Roberto Aragão Rios Brás Cubas, poeta mineiro, mas radicado em Natal
a quase 40 anos.
Aposentou-se pela UFRN, retornou a sua terra natal, Contagem, onde ficou,
remoendo recordações, por um ano.
Agora de volta à Natal e aos encontros semanais na residência universitária de
Potilândia, onde toda sexta-feira nos reunimos para tomar umas (às vezes
todas) e apreciar o por-do-sol, invariavelmente por volta das 17:30 em diante.
Rios tem a peculiaridade de escrever um poema e rasgá-lo ou amarfanhá-lo quase
imediatamente, atirando-o ao lixo.
Eu, quando posso, vou recolhendo os seus poemas esquisitos. Já reproduzi alguns
por aqui há uns dois anos atrás.
Agora recomecei e quando tiver um número suficiente vou publicar um livro com
suas peças horrorosas.
Sexta-feira passada ele escreveu 3 poemas (se é que se pode chamar isto de
poema) entre as l6:30 à 21 horas e eu, sorrateiramente, recolhi todos do
latão...
Aí vai o primeiro deles:
SEM DEUS NENHUM
sou um ímpio
ouso os prazeres mais extravagantes
navego
entre deus e o diabo
e apago as velas do nicho
do padre João Maria
pelo sim e pelo não
sigo trilhando as paralelas
repleto de emblemas
e de balagandãs
e como tal se deslocam as areias do deserto
calmamente... e de repente!,
uma serpente se retorce entre as estrelas
a água flui entre os rochedos
uma ave solta o seu trino ensolarado
ecoando pelas montanhas
(e pelas minhas entranhas)
a alma se assanha então
o som de um clarinete irrompe ao longe
asas de um piano desmaiam no crepúsculo
subindo as escarpas persisto sorrindo
nem o mais leve calafrio entontece os neurônios em mim
sou torto portanto
um
persigo prazeres sem fim
sou um ímpio
sem deus nenhum
Rios Brás Cubas
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