Deu no blog de Mario Ivo
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Inimigo meu 
A briga do poeta Plínio "ensandecido" Sanderson com o editor Abimael Silva veio 
parar por aqui porque já percorria o território livre da internet. É uma 
explicação e resposta à minha própria pergunta: é justo expor a intimidade 
alheia? A que serve escancarar o ringue? Afinal, as baixarias não foram poucas, 
e muitos amigos em comum dos dois duelantes preferiram ficar em riba do muro, 
não para assistir, indiferentes, a contenda, mas por, justamente, gostarem dos 
dois.
O sobrescrito não encontrou nenhum muro para nele se encarapitar e acha que 
nenhum dos dois tem razão e ambos razão têm.
É certo que é feio brigar assim, com ataques abaixo da linha do Equador, mas 
uma coisa faça-se justiça: ao menos a dupla de dois Abimael-Plínio tem coragem 
e hombridade de brigar às claras, em vez de simplesmente tecerem as clássicas 
intrigas de bastidores, no silêncio covarde que persiste nos corredores 
palacianos e nos becos da lama em igual medida e sem preconceito algum quanto 
às castas sociais.
Um canalha é não apenas um canalha, mas também uma opinião de canalha, não 
necessariamente um fato comprovado. Mas, sempre melhor dizer na cara e/ou 
assinar embaixo do que ficar destilando o veneno nas madrugadas insones, na 
rodinha de hienas em conspiração maléfica, nos dardos lançados secretamente.
As contendas são eternas ou quase eternas. Nas ribeyras do Putigy já houve quem 
chamasse pra briga em coluna de jornal, já houve quem desse e quem levasse 
surras homéricas - num lapso de tempo insuficiente para ler sequer uma página 
da "Ilíada" ou da "Odisséia"; e sem sequer a existência de uma Penélope a tecer 
e desfazer tramas enquanto espera.
Às vezes, os ódios se aproximam da tese defendida, sei lá por quem, mas que 
enuncia algo assim: "trate bem seus amigos e melhor ainda seus inimigos". É 
quando o literato, mesmo no ramerrame da província, eterniza nas páginas seu 
obscuro objeto de ódio. Assim, de memória, cito dois exemplos locais: o 
primeiro, Franklin Jorge e seu "Rato encardido", presente em "Ficções fricções 
africções", 1999 (e que todos sabem e por isso não precisa esconder ser um 
retrato ferino e maligno de Abimael); e o Esmeraldo Siqueira de "Fauna 
contemporânea", 1968 (dezenas de perfis, camuflados em versos, de "tipos 
moralmente enfermos", nas palavras e segundo o autor - com destaque para uma 
das famílias políticas da cidade, onde resumia: "Zègó tem ares de peru bravio,/ 
Guinelo é tal e qual um dromedário./ Peditinho - calunga extraordinário -/ 
Lembra a careta de um sagüi com frio.// Este, o Gari, é um tipo quaternário,/ 
De crânio atrofiado e fugidio./ Por fim, Lulu - da tropa orgulho e brio -/ 
Supera o genial burro Canário.")
No fim das contas há que se rir das pelejas, das intrigas, das quizilas - como 
Tácito Costa me ensinou o termo e o uso aqui a troco de nada, como nada é o 
troco de qualquer briguinha.

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