G A T O V A D I O
Gato vadio da Residência Universitária
a percorrer os muros dos quintais surroundings..
Gato velho já enfadado
ficando corcunda,
alguns pelos amarelecidos...
Tivestes uma bela vida, gato malandro,
rajado de cinza e branco.
Alimento consistente jamais faltou
ante a abundância de pardais
quando exercitavas a caça artesanal.
Ah, e aquela pujança da juventude agora ida.
— Para onde foi, gato vadio, gato boêmio?
Por certo possuis uma memória –
se não, eu recordarei por ti
todas as gatinhas que transastes
de todas as cores e até de outras raças,
quando se aventuravam às escapadelas noturnas
nos telhados roronando, roronando...
Curtiste adoidado, gato malhado, eu sei –
me identifico pra caralho contigo,
com o teu jeito agora lento quando passas na tarde modorrenta
ante o meu campo visual,
ante o meu eu lombrado, pleno de memória,
de recordações lisérgicas...
Hoje sou um, ontem fui outros,
pois que tudo é impermanente –
só os vitrais da Catedral
permanecem os mesmos, gato dolente,
fundamo-nos neste momento,
irmanemo-nos ante a realidade,
aceitemos a maratona inexorável
do tempo.
Rios Brás Cubas
--- Em seg, 27/4/09, Bob Motta <[email protected]> escreveu:
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