Um amigo de Recife me enviou esta crônica aí embaixo. Do velho José Alexandre 
(Acontecências da Confeitaria Delícia), pai de Dunga.
 
De seu livro Acontecências q tem muitos causos engraçados, tem um que eu nunca 
esqueci. 
Foi quando o legendário boêmio Luiz Tavares q tinha uma doença chamada 
"elefantismo" limpou o descomunal fio-fó com um pombo. 
Isso mesmo! Limpou-se com um pombo numa emergência - uma tremenda caganeira 
provocada por um sarapatel meio vencido após uma farra homérica acompanhado por 
Jesse Freire, Luis de Barros (dono da Cireda) e o mitológico engenheiro Roberto 
Freire.
 
Seu Zé Alexandre, jornalista e escritor anotou tudo das "acontecências" da 
célebre confeitaria frequentada por várias "beldades" natalenses, incluindo 
mestre Cascudinho. 
Mas limpar o (...) com um pombo é de lascar! Kakakakakakakakakaka!!!

Tenho uma coleção de livros autografados pelos autores e esse é uma das 
raridades. 
Vendo por 50 paus. Alô, alô Osvaldo Ribeiro, onde anda você!!!
 
M.
 


Para refletir
 


 
 SENTAR-SE À JANELA DO AVIÃO (ALEXANDRE GARCIA)


 
SENTAR-SE À JANELA DO AVIÃO
> 
> Alexandre Garcia
> 
> Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
> A ansiedade de voar era enorme.
> 
> Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o
> vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada
> vez mais rápido até a decolagem.
> 
> Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens,
> chegando ao céu azul.
> Tudo era novidade e fantasia..
> 
> Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o
> início, voar era uma necessidade constante.
> 
> As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a
> estar em dois lugares num mesmo dia.
> 
> No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos
> de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de
> esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e
> tal.
> 
> O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de
> me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades
> abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.
> 
> Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido
> e sair rápido.
> 
> As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair
> sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora,
> com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem,
> comigo mesmo.
> 
> Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para
> voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba
> o mais rápido possível.
> 
> O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na
> última poltrona.
> Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para
> o embarque.
> 
> Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela.
> Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me
> preocupava em olhar.
> 
> E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez
> que voara.
> Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga.
> Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela
> chuva, apareceu o céu.
> 
> Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que
> brilhava como se tivesse acabado de nascer.
> 
> Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava
> deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela
> vista.
> 
> Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha
> vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por
> exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do
> meu trabalho e convívio pessoal?
> 
> Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela
> janela da nossa vida.
> 
> A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o
> que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias,
> tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
> 
> Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar,
> sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que
> a viagem nos oferece.
> 
> Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do
> corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um
> pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
> A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é
> anunciada pelo comandante.
> Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
> Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder
> nenhum detalhe.
> Afinal, 'a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos'.
> 
> 
> 
> 
> ------------------------------------------------------------------------
> 
> 
 6
Assunto: FW: En:Fw: SENTAR-SE À JANELA DO AV

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