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Beco da faísca 01.05.2009 08:59

As chacotas, acusações e discussões de representantes das duas chapas
concorrentes à nova presidência da Samba (Sociedade dos Amigos do Beco da
Lama e Adjacências) antecederam o dia de votação, com início nesta
sexta-feira a partir das 10h.

Não participei das outras eleições. Conheço apenas por histórias. Mas não
precisa curso no Senac para apostar num dia agitadíssimo por lá. A quista de
ontem à noite, os ânimos podem se alterar além do limite.

Eu ainda procuro uma razão para disputa tão acirrada, quando a coisa sempre
foi resolvida de forma consensual ou, pelo menos, sem intrigas. O ambiente
está tenso. Que haja a boca de urna, mesmo entre concorrentes numa mesma
mesa, mas sem agressões pessoais, em respeito à própria aura boêmia e
convidativa do lugar.

Achei duas hipóteses para tal acirramento: a primeira é a chance de o
projeto Pratodomundo receber a verba de R$ 180 mil do Ponto de Cultura. Ora,
dinheiro na mão nem sempre é vendaval. Embora essa grana dificilmente caia
naqueles chãos. Meu povo, suplente é suplente, principalmente quando a
direção da fundação cultural é do PT.

A segunda: a vontade real de propor mudanças no Beco da Lama. Mas aí
raciocinemos o porquê de tanta ofensa se a vontade é em prol de melhorias?
Se assim fosse, estariam todos na mesma mesa, discutindo propostas,
conversando sobre futebol e demais assuntos de mesa de bar. Como
antigamente. A temperatura não estaria aos 40 graus.

Em outras épocas não era assim. E disso posso comentar. Bebo minha cerveja
por ali quando a barba de Romildo era rala (rs). São alguns poucos anos.
Nada comparável aos que bradam décadas de freqüência, como se valesse
status.

Quando o preconceito e a alma de gueto fugirem daquele beco, acredito que as
pessoas se sentirão mais à vontade de pisarem nas adjacências. O antro é
libertário. É pra isso que o Beco precisa acordar. Não existe nós do Beco.
Somos todos. Ou quem quiser.

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