Alex Grujé. 
Meu saudar (como dizia o poeta psicótico).
 
Posso até concordar que o poeta Gilmar Leite é sonetista razoável, no entanto 
está muito very, very far away de se comparar ao poeta Rios Brás Cubas que 
também é sonetista. 
E dos bons!
 
Curta-os (são três, da série Sonetos Tronxos) e me diga aí se uma Auta de 
Souza, um Esmeraldo Siqueira ou um Antoniel Campos sequer amarra as chuteiras 
desse assombroso bardo.
 
  
  
  
  
À  H O R A 
  
(Dos Sonetos Tronxos Nº 1) 
  
  
A melhor hora é a hora de dormir 
Quando o espírito (já) mais aquietado 
À noite profunda e total quer dormir 
(o corpo descansa de um dia agitado) 
  
Faz frio lá fora. Mas aqui sob os lençóis de lã 
Sobe ao rosto um calor e, ao porvir, pássaros ao sol, motores a bulir 
Cantam com entusiasmo à manhã 
(farão outra vez dirimir a dor) 
  
Durmamos, pois. Será melhor afinal 
Sonhemos um despertar menos concreto 
Uma realidade menos fatal. 
  
  
Durmamos amor, o sono sem fim 
A não conclusão do nosso projeto, 
Sonhemos em fugir de todo o real, enfim. 
  
  
  
SONETO DE TI 
(Dos Sonetos Tronxos Nº2) 
  
  
  
Aconteceu alguma coisa ao teu olhar 
Como uma sombra que pesasse sobre si 
Ou tênue mancha que toldou o seu brilhar 
Alguma mágoa recolhida em ti. 
  
Aconteceu alguma coisa a tua feição, 
Pois esse vinco que a enobrece 
Não existia quando sorrias com afeição. 
  
Aconteceu alguma coisa ao teu sorriso 
Com um esgar sutilmente se parece 
Ou ricto amargo em tua boca de rainha 
  
Quando existias, quando existíamos 
E eu nem ousava sonhar 
O quanto eras minha. 
  
  
  
  
  
  
SONETO PUTO 
(Dos Sonetos Tronxos nº 3) 
  
Sou o poeta da poesia ruim 
da poesia tronxa, infinitesimal 
meu poemas são monstrengos sim, 
são os queixumes que suspira o mal 
  
Sou o poeta da poesia puta, 
Da poesia que nem um bêbado recita, 
Meus poemas, que ninguém discuta 
São os que o conde Drácula dita 
  
Mas se por acaso estou dizendo asneira 
Escatologicamente o que afirmo agora 
É puro orgasmo que a verve labuta 
  
Assim falando e com voz maneira 
Peço que vocês todos vades s’imbora 
Se eu for o poeta da poesia puta! 

--- Em sáb, 18/4/09, Alex Gurgel <[email protected]> escreveu:









Gilmar,
 
Uma maravilha, essa soneto!
 
Foi direto para as páginas do Grande Ponto.
 
Alex
 

----- Original Message ----- 
From: Gilmar Leite 
Sent: Saturday, April 18, 2009 7:19 AM
Subject: [becodalama] Soneto




        Saudade Materna
 
 
Saudade de mamãe vertendo o riso,
Suave, como a brisa nas campinas;
Saudade das palavras cristalinas
Brotando do seu gesto tão preciso.
 
Saudade do seu doce paraíso
Com flores de carícias bem divinas;
Saudade do amor, como cortinas,
Abrindo o coração sem um aviso.
 
Saudade de assisti-la costurando,
De vê-la num sorriso derramando,
As lágrimas no rio da esperança.
 
Saudade enfim, da minha mãe Rita,
Da sua grandeza tão infinita,
Tecendo com fulgor meu ser criança.
 
                                           Gilmar Leite
Visite o endereço http://www.nascimen to24x7.blogspot. com/
 


-- 
Gilmar Leite



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