bela matéria do DN, histórica por sinal. será que daqui a três anos o DN vai 
ter alguma coisa pra falar sobre o beco? 
será que se faz cultura sem dinheiro? acho que se faz cultura com artistas. o 
que seria do circo sem o palhaço? e um palhaço bem produzido e que não sabe 
fazer sorrir? o circo de soleir é circo ou circus? se for circo, não se parece 
com o que conheci. lona rasgada, o leão faminto. circo não é cultura? (porque 
não existem políticas públicas para salvar o circo no brasil?). aí eu pergunto: 
de que adianta um "circo "sem o talento, as idéias, a arte. me desculpem, posso 
estar enganado e só o tempo vai me revelar respostas. tempo que nunca chega, só 
se repete.

serrão

--- Em ter, 5/5/09, Alexandro Gurgel <[email protected]> escreveu:


De: Alexandro Gurgel <[email protected]>
Assunto: [becodalama] Deu no DN
Para: "Beco da Lama" <[email protected]>
Data: Terça-feira, 5 de Maio de 2009, 8:06















É “Nós do Beco” na fita! 



O Beco da Lama é rua sem vontade de avenida. E talvez pela simplicidade de 
essência se dispa do estigma de galinha e voe as alturas da águia. Consegue o 
barulho necessário aos ouvidos da província. A eleição para a nova diretoria da 
Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba), na última 
sexta-feira, trouxe até parlamentar de Brasília para votação na Cidade Alta. 
São Pedro segurou a chuva. E Deus esperou mais um dia para levar um dos 
personagens mais enigmáticos daqueles chãos, o filósofo das ruas José Helmut 
Cândido, 76. Tudo para que a contagem dos votos transcorresse nas mais 
civilizada guerra comumente presenciada naquele território boêmio.

Não fossem poucos os espaços na mídia nas últimas semanas, os becodalamenses 
elegem Lula presidente (não o Luís Inácio, da República proclamada após uma 
quartelada, mas o Augusto Luís, da Samba). Foram 93 votos para a chapa Nós do 
Beco contra os 63 conquistados pela chapa Acorda Samba, encabeçada pelo 
produtor cultural e poeta Eduardo Alexandre, o Dunga. Dos 158 votantes, dois 
chapados anularam os votos (leia-se chapados como admiradores das duas chapas, 
ambas formadas por poetas, professores, artista plástico, produtores culturais, 
jornalistas, médicos, e outros profissionais liberais, libertários).

Já no dia anterior começa a boca de urna; o beco diuturno entre em ação. 
Ligações sequenciais aos becodalamenses inscritos no chamado Livro Preto - de 
coloração cinza desbotado - ocorrem durante todo o dia. À noite, no Bardallos, 
os ânimos esquentam entre representantes das duas chapas. E o Beco volta ao 
status de galinha de voos baixos. A temperatura indicava dia quente para o dia 
seguinte. Mas a sexta-feira, Dia do Trabalho, foi mais ameno. O único ensaio de 
pugilato foi travado na adjacência mais tradicional do Beco, no Bar de Nazaré. 
Os dois candidatos à presidência da entidade, cerca de uma hora e meia antes da 
contagem, trocaram farpas. Nada muito além de acusações de rejeição.

Mais à frente, onde o Beco é mais beco, próximo ao Bar de Nazi, a concentração 
maior de boêmios. Era local da urna, ou de um quase alforje lacrado com 
cadeado. Quem aparecesse na hora era cercado pela tentativa de convencimento. 
Tudo na santa democracia e a espera de um chorinho que nunca começava. Os 
ânimos subiram mesmo quando a ‘‘urna’’ seguiu para o Bardallos às 17h, seguida 
por uma procissão, cortejo ou coisa parecida. Era o fim da votação. No bar de 
Lula (não os barbudos da República ou da Samba, mas o Belmont, do Bardallos), o 
tumulto foi formado. A comissão eleitoral formada pelo produtor Júlio César 
Pimenta, o poeta Cefas Carvalho e o professor Hélio Marques fugiram para a 
cozinha do restaurante/ bar para, primeiro, jantarem após um dia sem comida nem 
arte.

Na bancada de entrada da cozinha, muita gritaria. Dois representantes de cada 
chapa (apesar de a comissão eleitoral ser mista) acompanharam o jantar da 
comissão como provas comprobatórias da lisura do pleito. Pontualmente às 18h - 
hora marcada para início da contagem - a comissão, já no salão do bar e cercado 
de becodalamenses ávidos, iniciam a apuração dos votos. Os dois primeiros votos 
para a Acorda Samba acenderam esperanças vis. Aos poucos a chapa comandada pelo 
antigo presidente da entidade, Dunga, adormecia para um sono de mais três anos. 
Quando se contavam cerca de 80 votos e a diferença entre os dois era de apenas 
15, já se comemorava timidamente a vitória. E nem precisava da ciência de 
Francis Bacon estampada na camisa de Augusto Lula para decifrar: a chapa Nós do 
Beco era a dona da Samba.

No dia seguinte, o folclore do Beco da Lama reaparece pomposo nas comemorações 
da vitória. O Presidente (da Samba) informa que recebeu telefonema da ministra 
Dilma Rousseff que, mesmo combalida pelo câncer, parabenizou a vitória e 
prometeu incluir os projetos culturais da Samba no PAC. Os buxixos contam que 
Lula (o tomador de run, não o de cachaça) se vendeu ao PT para, em alguma data 
destes próximos três anos, trazer o companheiro homônimo e menos importante aos 
chãos enlameados do Beco. A meladinha de Nazaré foi o principal argumento para 
o presidente (sim, o da República) aceitar o convite. O segundo foi a de que o 
PSTU e o PCdoB estão tomando conta do Beco. A terceira, última e mais evidente, 
é para estreitar os laços da Samba e a Fundação José Augusto, do petista 
Crispiniano Neto. Enquanto isso, Lula, o sambista, comemora os louros da 
vitória junto ao fiel Sancho Pança, Abimael Silva.















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