Sem tirar nem por, é o Beco.
 

--- Em qua, 6/5/09, Civone Medeiros <[email protected]> escreveu:


De: Civone Medeiros <[email protected]>
Assunto: [becodalama] Achados do Grande Ponto: Carta de Helmut
Para: [email protected], [email protected]
Data: Quarta-feira, 6 de Maio de 2009, 15:32









25 de Fevereiro de 2006
Cartinha de J. Helmut - Natal, 26-2-2006
Alex,
Este rincão que cruza a Vigário Bartolomeu, chamado Bar de Nazaret, muito 
conhecido nosso e por você também, data calculadamente em uns 5 anos, 
congregando gente de várias procedências e de todas as profissões, gente de 
padrão médio, brancos, tecendo comentários dissipados e de todo teor.
Afinam-se pelo diapasão grosseiro, falando da vida alheia, muitas risadas, 
embora não briguento, beberrões fumadores mantendo-se às custas dessa falação 
menosprezante, achincalhante, que não raro desce ao baixo calão, para depois 
retornar ao ponto de onde partiu, isto é, à amabilidade fingida.
Arrebanham pilhérias que não fazem jus ao centro da cidade natalense, comercial 
de antiga tradição como é de nosso conhecimento. É época de carnaval e é quando 
as coisas pioram mais ainda: frevo, dança carnavalesca, gritaria...
Alguns juntam diplomas universitários como de História, Geografia, Matemática e 
até odontologia, mas esses nada fazem para melhorar o ambiente, compactuando 
com a bancada turbulenta, quando era de supor que fizessem congressos 
familiares dentro de suas respectivas cadeiras de professores.
Antigos uns, novatos outros. Os últimos, suponhamos, vêm a fim de tentar o 
teste que noutros lugares fizeram debalde e já que seria “descobrir um santo 
para cobrir outro”, dá na mesma. Os presentes, os desfalques que lá aprenderam 
que os deslustra afastam-se para outros países, a fim de limpar a consciência 
já poluída. Nunca mais retornam aqui. A turma, entretanto não se desfaz e tudo 
continua na mesma de sempre, sem descanso.
Os passantes não se demoram nem para olhar, salvo alguns mais curiosos, mas 
sempre passam de largo. De largo não, pois o ambiente é estreito, como estreito 
é o ponto que se situa. Felizes infelizes: desquitados, endividados e turrões.
Crianças? Lá alguma vez aparece uma. Também para que? Aprenderem o que veria 
desviar do bom caminho? Isso não.
Calejado ponto de reunião não há como erradicar esse calo. Ao lado está Ojuara, 
que chamam presidente dos cornos de Ceará Mirim, que raro aparece. Faz 
esculturas de ferro.
O cigano vez em quanto dá as caras, mas falam mal do Cigano, não se sabe com 
que fundamento. Carlança, glutão, sofrível, tocador de violão.
J. Helmut, artista pintor, a fazer versos e vende-los a preços insignificantes; 
recentemente, publicou um livro com sucesso de mercado.
No mais aqui, a critica desse local natalense que rogo lhe lance na internet e 
publique no jornal.
J. Helmut

Postado por Alexandro Gurgel às 12:19 (http://grandeponto. blogspot. com/2006/ 
02/cartinha- de-j-helmut. html)















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