CARTA À MINHA MÃE...
 
                        Mamãe querida:
                        Hoje eu quero que você receba por todas as mães do 
universo, a homenagem que lhes presto no dia de vocês, debulhando “em prosa” o 
cordel matuto que eu escrevi em sua homenagem e que tem como título, “MINHA MÃE 
E MEUS BRINQUÊDO”... Pode ficar na certeza; brinquedo e carinho de mãe, são 
rimas ricas para, amor, felicidade e sorriso de criança. E falando nisso, 
mamãe; retrocedo no tempo e “cascavêio” nas prateleiras da minha memória, para 
me encontrar com você e com meus brinquedos da época em que eu era apenas e tão 
somente uma criança cheia de sonhos e esperança. E não era para menos, pois com 
o carinho e a paparicação que  recebia de você todos os segundos, minutos, 
horas, dias, semanas, meses e anos; e aqui acolá; de papai; tinha que ter 
sonhos maiúsculos. O destino e meu merecimento se encarregaram de realizarem 
alguns e desfazerem outros... E quando eu vejo hoje os
 brinquedos que só faltam falar, cheios de tecnologia, a saudade “dá in n’eu 
cumo quem dá na mulexta duis cachorro”... Nessa época, eu era inocente de pai e 
mãe, e, como diria o saudoso Patativa do Assaré, “nem saibia ainda pecá 
derêito”... Papai viajava e na volta trazia “uma ruma de brinquêdo”, e a minha 
felicidade  era completa em todos os sentidos. Naquele tempo, brinquedo à 
pilha; nem se falava. Os carrinhos, aviões, trens e até lanchas, eram todos 
movidos à corda ou à fricção (os carrinhos). Eu tinha tudo do bom e do melhor; 
mas minha preferência era pelos brinquedos da criançada pobre... Sempre fui 
fascinado pelos carros de lata de doce, de virola de pneu, pião, Mané Gostôso 
(aquele boneco de madeira preso entre duas taliscas), iô-iô, rói-rói; e 
brincadeiras como pêia quente, burrinca ( o mesmo que João Galamastro...), 
anel, garrafão, pinicaínha, banho de açude ou atravessar o rio num tronco de
 molungú, que servia de balsa. Currupio era feito com cordão e um pedaço de 
cabaça, que ao ser rodada em alta velocidade, produzia um som bastante grave e 
inquietante, com o qual a gente “tirava o juízo dais véia fofoquêra da 
época”... Mas, mamãe; o que eu mais gostava, quando estávamos na fazenda, 
principalmente lá na Malhada da Roça, era dos “boi de ôsso”... Cada vértebra 
das carcaças de gado morto que encontrávamos no cercado, se transformava numa 
rês; as carcaças dos garrotes, davam as vértebras menores, que na nossa 
imaginação, eram os bezerros. Na nossa mente, as intermediárias eram as 
novilhas e/ou vacas. Os cavalos eram de barro, comprados  na feira de Campina 
Grande. O Curral era feito de pedras ou de gravetos entrançados um no outro. A 
alegria e a felicidade eram os sambas enredo do meu viver. À noite, sentado na 
perna do Véio Arcelino, adorava escutar suas estórias, de quando êle, exímio 
rastreador,
 pertencia ao bando do cangaceiro Antônio Silvino. Você me levava prá dormida e 
não saía de perto de mim, enquanto eu não estava “a sono sôrto”. Sempre tive a 
certeza, ter sido você quem inventou carinho nesse mundo. Hoje, mamãe, muitas 
vezes no meio da noite, insone com os problemas a resolver, sinto nitidamente o 
calor dos afagos que você me fazia. Quando sonho com você, juro que me dá 
vontade de não acordar mais... Você pedia a Deus para sonhar com meus sonhos, a 
fim de realizá-los.  Em todo o universo, não existe um filho que não pense como 
eu, em relação à sua mãe.  Com sua permissão, quero enfatizar o amor daquela 
mãe que sem outra alternativa, se viu obrigada a vender o próprio corpo, para 
tirar o sustento do filho por ela gerado, dentro daquele mesmo corpo que ela 
está vendendo. Ela é tão merecedora do amor do seu filho, quanto você do meu. 
Ela ama aquele filho do mesmo jeito que você me amou e ama  do outro
 lado da vida. Quando o afaga, usa a maciez da pétala da rosa; quando o 
defende, usa as garras da leoa mais feroz... 
                        Êita, “bicho mãe”:
- Ô raça prá tê amô!
                        É isso aí, mãezinha; e no mais; é isso mesmo! 
                        Obrigado por TUDO; e fique certa que o maior de todos 
os presentes que Papai do Céu pode me dar, é fazer com que numa outra 
encarnação, eu seja seu filho novamente!
                        Beijos do seu filho, Bob!... 


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