ESTRATÉGIA E ANÁLISE
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009 - ISSN 00331983
O governo Yeda acuado de novo
Bruno Lima Rocha, do Rio Grande 

O núcleo duro dos tucanos do pago, composto por herdeiros políticos de Nelson 
Marchezan, continua na berlinda. Dessa vez o drama volta a ganhar repercussão 
nacional, nas páginas centrais da revista Veja dessa semana (edição de 13 de 
maio de 2009). Li por obrigação profissional a reportagem de Igor Paulin (págs. 
64-66) com o título: “O caixa dois do caixa dois”. O caso é conhecido dos 
gaúchos e faz parte do drama cotidiano do governo de Yeda Crusius (PSDB). Dessa 
vez, a bomba parte da viúva de Marcelo Cavalcante, o “ex-embaixador” do Rio 
Grande que em fevereiro desse ano apareceu boiando no Lago Paranoá. Em essência 
a matéria de Paulin apresenta o depoimento da viúva e uma parcela de provas de 
irregularidades de campanha que estariam sob a tutela do Ministério Público 
Federal (MPF).
Logo após a circulação de Veja, na segunda-feira dia 10 de maio, o vereador e 
advogado Pedro Ruas e a deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) retomaram as 
denúncias feitas na semana anterior ao carnaval. Agora apresentam elementos 
novos através de correspondência eletrônica interceptada. Os emails apontam 
conversas entre o diretor da Braskem Alexandrino Alencar e um presunto 
intermediário de valores a serem repassados. O segundo e-mail é entre José 
Paulo Cairoli, presidente da Federasul e o dirigente do PSDB na cidade do Rio 
Grande, Juarez Molinari. Ambas as correspondências tratam de pedidos de repasse 
de dinheiro, sendo que o segundo e-mail tem a data posterior ao segundo turno 
de 2006. Outra vez mais, se estas provas estão sob a guarda do MPF, então estão 
vazando. 

Diante dessa evidência, da suspeita sobre um governo eleito e do vazamento de 
provas materiais sob segredo de Justiça, porque manter o sigilo sobre algo que 
está vindo a público de forma indireta? O argumento mais sensato que ouvi foi o 
do presidente da OAB/RS, o advogado Claudio Lamachia. A tese é simples. Se o 
MPF é detentor dessas provas, o dano maior causado é a suspeita generalizada, 
quando muitos acusam, afirmam existirem as provas e as mesmas não se 
apresentam. Como já não há mais sigilo, o que falta é a comprovação se as 
denúncias são caluniosas ou não. É lógica pura. Se forem falsas, a trajetória 
política de gente com trajetória ilibada, como Luciana Genro e Pedro Ruas pode 
ir para o limbo. Mas sendo verdade, sua gravidade é ainda maior. Isto porque o 
Rio Grande estaria sendo governado por uma gestão supostamente corrupta e 
criminosa. 

Portanto, defender a sociedade gaúcha neste momento é dirimir esta dúvida.
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