LOST GIRLS: O retorno do Discurso Erótico Feminino 

 
Marcelo Bolshaw Gomes
 
O DISCURSO ERÓTICO

Existe um discurso erótico? Ou o verdadeiro erotismo não se deixa aprisionar 
pela linguagem? Qual a diferença entre o entre erotismo e pornografia? E, se há 
realmente um discurso erótico, ou melhor: se existem diferentes discursos 
eróticos segundo o lugar e a época, como caracterizá-los? Será possível 
distinguir o discurso erótico feminino do masculino?

Erotismo deriva do nome de Eros, o deus grego do amor, Cupido para os romanos, 
associado à paixão e ao desejo intenso. Pornografia também deriva do grego 
pórne, "prostituta"; grafé, representação. Ela é representação, por quaisquer 
meios, de cenas ou objetos obscenos destinados a serem apresentados a um 
público e também expôr práticas sexuais diversas, com o fim de instigar a 
libido do observador. Quase sempre a pornografia assume um caráter comercial, 
seja para os próprios modelos, seja para os empresários do setor. E o erotismo 
é gratuito, em todos os sentidos! Portanto, não se trata de bom gosto, da 
pornografia ser grosseira e vulgar em oposição à estética erótica, requintada e 
sutil: é a mídia, essa perversa usurpadora, que prostitue o erotismo 
transfomando-o em pornografia.

Desta primeira constatação nascem duas posições extremadas que evitamos: a 
primeira consiste em acreditar que não existe um discurso erótico puro: tudo 
que é enunciado é (ou pode ser) pornográfico. A segunda posição é de que não 
existe distinção possível entre os discursos erótico e pornográfico, uma vez 
que a comercialização do discurso é uma questão externa à linguagem. Ambas se 
equivalem pois negam a autonomia discursiva do ato erótico, colocando-o em uma 
posição transcendente. Pode parecer que esse valor extra-linguístico deseja 
supervalorizar o Erotismo, mas, na verdade, trata apenas de escondê-lo e de 
silenciá-lo. 

O que define o Erotismo em si é “a transgressão de um interdito” (BATAILLE, 
1988). O fruto proibido é sempre o mais desejado e o segredo erótico é ocultar 
a sexualidade e simultaneamente sugerir seu revelar sensual. É um duplo 
movimento de esconder sensações e descobrir emoções e sentimentos – que não 
existe nos atos obscenos, no caráter apelativo e vulgar do pornográfico. O 
Erotismo é um aspecto da subjetividade do homem oposta à sexualidade animal 
livre restrições ou interdições. O homem, no processo histórico de construção 
da máquina social, foi simultaneamente reprimindo a sexualidade e a consciência 
da própria morte, dando origem ao Erotismo.

Somos seres descontínuos, na medida em que somos individuais, diferentes e sós. 
E essa diferença jamais pode ser completamente suprimida, apesar de todos os 
esforços de comunicação, há um abismo descontínuo entre Eu e o Outro. Somos 
descontínuos, vivemos e morremos sozinhos, mas trazemos em nós o que Bataille 
chama de “nostalgia da continuidade perdida”. No entanto, ao mesmo tempo em que 
busca a experiência da continuidade, o homem também a teme, pois ela é a morte 
- o aniquilamento da individualidade descontínua. Baseado nessa relação 
dialética entre a repressão sexual e o medo da morte, Bataille dá ao erotismo e 
à violência uma dimensão espiritual, como uma forma de ser além de si mesmo e 
transcendendo a descontinuidade.
 
continua no anexo

 


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