ESTRATÉGIA & ANÁLISE
 ISSN 00331983
Os atos secretos do Senado sequer são republicanos 
17 de junho de 2009, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha 

Mais uma vez a câmara alta do parlamento brasileiro presta um grande 
desserviço. Não falo especificamente da gestão do arenista José Sarney na 
presidência da casa, mas da “descoberta” dos atos secretos. Na verdade, o que 
houve foi uma abertura de mais uma caixa preta do trato da coisa pública com 
mãos e intencionalidade privada. Queimaram mais uma medida que costuma ser 
aplicada para outros tipos de negócios de Estado. Explico. 
O ritual de segredo parlamentar costuma ser utilizado na relação com o 
Executivo para temas sensíveis. Lembro que em 2002, ainda no primeiro ano de 
mestrado em ciência política, fiz um trabalho que analisava as formas de 
controle do Congresso dos EUA para com a chamada comunidade de segurança e 
informações. Pois dentro do Capitólio operavam mais de 14 comissões e 
subcomissões, mistas ou exclusivas, e quase todas trabalhavam a maior parte do 
tempo em condições de segredo de Estado. Aplicava-se a condição secreta para 
uma matéria de envergadura, vinculada ao complexo industrial militar e os 
interesses pouco públicos do Pentágono. No caso, a elite política estadunidense 
preserva as medidas para os grandes negócios e não para prebendas fisiológicas 
ou nepotismo. 

Não quero dizer com isso que os plutocratas que comandam a democracia liberal 
estadunidense sejam perfeitos na defesa apenas daquilo que é estratégico para 
eles, muito pelo contrário. Mas, ao menos, neste ponto, até eles fazem política 
em segredo para temas de ordem geral e não para o balcão de “secos e molhados” 
da cultura política paroquiana. Qualquer um que acompanhe a política sabe da 
importância do trato com a coisa pública. Em tese, qualquer ato de Estado – e 
por conseqüência de governo e de mandato – deveria obedecer aos princípios de 
Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Publicidade. Sem exageros, quando são 
abertas as entranhas do Senado o que se vê é o oposto disso. 

Para complicar a situação, não é justo mandar a conta dos atos secretos apenas 
para o diretor-geral, os senadores que compõem a Mesa Diretora ou o presidente 
e o primeiro-secretário de turno. Em alto nível decisório, não há inocência 
política. Consente quem cala e comete crime por omissão. Não é aceitável um 
senador que argumente desconhecer o rito e regimento interno da casa. 
Simplesmente, o detentor de mandato é pago pela nação para legislar e tem por 
obrigação conhecer as normas de funcionamento de seu posto. O mínimo que se 
exigiria do Senado é a devassa total dos atos secretos nos últimos 14 anos, uma 
medida urgente proibindo qualquer forma de nepotismo (direto ou cruzado) até o 
terceiro grau de parentesco e o ressarcimento imediato dos recursos gastos a 
partir de atos não públicos. 

Esse receituário, de base institucionalista e procedimental, seria o paliativo 
para dar sobrevida ao capital político do combalido Senado brasileiro. Mas, a 
experiência nos diz que isso jamais ocorrerá de forma sumária. Ao contrário, 
cada medida de transparência no parlamento nacional é uma conquista da 
sociedade, a duras penas arrancada.
Leia Mais: http://www.estrategiaeanalise.com.br
Estratégia & Análise: a política, a economia e a ideologia na ponta da adaga.
 
Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Revisão, diagramação e envio: André Carvalho, Lisandra Arezi.
www.estrategiaeanalise.com.br
Fone: 55 51 9974 8052
Correio: [email protected]
msn: [email protected]
skype: bruno.lima.rocha
 
http://groups.google.com.br/group/estrategiaeanalise 
 
Agradecemos a publicação deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o 
favor de enviar para nosso endereço eletrônico o LINK da página onde o texto 
foi reproduzido. Caso não queira mais receber os artigos, por favor, envie 
e-mail para [email protected].
Gratos pela atenção: Estratégia & Análise e Equipe.
 


      Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! +Buscados
http://br.maisbuscados.yahoo.com

Responder a