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O Rio Grande sob
denúncia<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=f53a419a60b5d3dce127570f544d4523>

08 de julho de 2009, da Vila setembrina, Bruno Lima Rocha

O último domingo (6 de julho) foi de intensa atividade política e midiática
na Província de São Pedro. Não houve convenções partidárias nem reuniões de
cúpulas dirigentes. O frenesi teve como causa o somatório sempre explosivo
de investigação policial, desconfiança política (na base da delação) e
cobertura jornalística. Outra vez mais ocorreu o “vazamento” de documentação
oficial do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS) que se
debruça na investigação das contas de campanha e negócios de governo nos
primeiros anos do mandato de Yeda Crusius (PSDB). Com isso, se confirma a
suspeita coletiva de que o “garganta profunda” dos pampas é um ex-homem de
confiança dos herdeiros políticos de Nelson Marchezan (pai), o empresário
tucano Lair 
Ferst.<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=f53a419a60b5d3dce127570f544d4523>

Não teria sentido reproduzir fatos já publicados em um breve artigo de
análise. Para os leitores desse blog, indico a versão digital da edição
impressa do jornal Zero Hora (Grupo RBS), da última terça (07/07, págs. 4 a
10) e segunda (06/07, págs. 6 a 10). Lá se encontram reproduções de cartas e
atas do MPF citando os vinte fatos investigados a partir da denúncia do
mesmo informante.

Destaco como relevante nesse imbróglio o clima de suspeita coletiva, gerando
sensação semelhante a que se vive no nobre e ilibado Senado federal. Se
forem verídicas as denúncias de Lair Ferst, então nos deparamos no Rio
Grande com negócios privados com dinheiro público mediante troca de favores;
suborno; caixa dois de campanha; enriquecimento ilícito; licitações
fraudulentas; tráfico de influência; uso de testas de ferro, laranjas e
intermediários de propinas sistemáticas; aquisição de patrimônio; e
nomeações para cargos de confiança com o intuito de controlar o desvio de
recursos diversos. Os protagonistas destas reportagens, todos publicados em
jornal impresso são: líderes de partidos políticos e titulares do primeiro
escalão estadual; agências de publicidade; prefeitura de cidade-pólo;
construtoras e empreiteiras de obras públicas e empresas fumageiras.

Se forem corretas as informações, estas materializam dois conceitos que este
analista vem defendendo há mais de uma década. O primeiro é que o Jogo Real
da Política inclui manobras lícitas e ilícitas, em distintas escalas de
grandeza (do assédio moral ao assassinato), passando por regras formais e
informais, como a espionagem. O outro conceito também de minha modesta
autoria, é a de que uma candidatura e seu respectivo bloco de alianças e
apoiadores formam um Consórcio Econômico-Eleitoral, onde metas programáticas
são complementadas por benefícios para pessoas físicas e jurídicas, obtidos
de modo legal ou não.

Ao aplicar estas categorias como modelo explicativo da “crise” política
gaúcha, conclui-se o óbvio. Com boa parte do primeiro escalão sob suspeita,
a “governabilidade” está por um fio.
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