WATCHING THE WHEELS
(ou seja: assistindo aos telejornais da televisão brasileira)
 
 
Sei que sou e sempre serei um cara esquisito. 
Desde criança sou uma pessoa com valores singulares, com opiniões próprias e o 
hábito de formulá-las na cara, doa a quem doer. 
 
Sou consciente do preço que pago por isto.
 
Ideologia própria, modo de pensar singular, profundidade em ver e interpretar 
os fatos...
 
Por exemplo, não concordo com o título da mensagem em anexo: how fortunate we 
are, ou seja, "como somos afortunados".
 
Certas situações indesejáveis quer sejam de caráter trágico ou pertinentes à 
moralidade, ou ainda com relação à saúde acontecidas às outras pessoas ou a 
outros povos servem um pouco de consolo a nós outros por não estarmos passando 
por aquela mesma situação, embora, por outro lado, vivemos e passamos situações 
até piores.
  
Se não fossem as alegrias que o futebol (ópio do povo) nos proporciona; se não 
fosse os baticuns da vida para nos distrair; se não fosse a tradição da máxima: 
brasileiro, profissão, esperança; se não fosse esta natureza exuberante, este 
clima ensolarado que nos deixa acesos e vivos; se, de repente, todo o povo 
brasileiro se voltasse para dentro de si mesmo, procurando se auto-conhecer, 
fazer uma análise de sua verdadeira (como coletividade) condição social e 
moral, veríamos que a nossa situação é, com certeza, a mais trágica entre todos 
os outros povos e países do planeta Terra.
 
Para isto, e se formos olhar com olhos que vêem, se não vivêssemos dopados ou 
anuviados por artifícios ilusórios que nos enganam no dia a dia, aos lermos as 
manchetes dos jornais e assistirmos aos próprios telejornais veríamos que 
somos, como povo, o mais reles entre todos.
 
Assim sendo o título da mensagem aí deveria ser: 
Tem gente que tem mais sorte do que nós.
 
 
 


      
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