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Reunião de oito artistas marca comemoração dos 15 anos de Nalva Melo Café
Salão

Jota Medeiros, Marcelus Bob, Guaraci Gabriel, Marcelo Fernandes, Zaia,
Dickson Tavares, Wendel Gabriel e Pedro Pereira: eles compõem um super time
das artes plásticas potiguares. Na próxima quinta-feira, 30 de julho, a
partir das 20h, os artistas abrem oficialmente a II Mostra Coletiva de Artes
Plásticas, ocasião em que apresentarão a exposição permanente que terá a
marca dos 15 anos do Café Salão. O momento será histórico porque reúne,
quase 12 anos depois, o mesmo grupo que deu início às atividades culturais
no salão de beleza de Nalva Melo, situado na avenida Duque de Caxias,
Ribeira.

O vernissage, marcado para 20h, é aberto a todas as pessoas que gostam de
artes e desejam conferir uma obra inédita, concebida especialmente em alusão
ao aniversário do espaço que abriga eventos culturais diversificados e
representa um marco na Ribeira quando o assunto é revitalização do bairro
histórico. Além da mostra permanente, os artistas também apresentam
trabalhos individuais que compõem a II Mostra Coletiva propriamente dita, ou
seja, o material que estará disponível para venda. A adesão ao convite de
Nalva Melo para o reencontro dos oito artistas foi imediata. Mesmo quem
estava com a agenda cheia abriu um espaço para oferecer sua contribuição à
exposição.

O escultor Guaraci Gabriel, que assina a concepção da mostra permanente,
demonstrou bastante entusiasmo desde a primeira reunião realizada para o
acerto dos detalhes do evento. "Nalva é uma batalhadora, nós artistas
devemos muito à sua sensibilidade. Ela merece todo o nosso empenho para
deixar este espaço ainda mais valorizado", declarou. Ele e Wendel Gabriel,
que na época da primeira exposição era um menino de oito anos, são
escultores do mundo, gostam de expor em bienais e estão sempre inventando
performances inusitadas.

Todos estão muito felizes com a realização da exposição, como é o caso de
Pedro Pereira. Há alguns anos, o artista sofreu um AVC e ficou com algumas
seqüelas físicas, mas sua produção continua irretocável e ele se encontra
numa fase em que demonstra muita alegria de viver. "Estou achando fantástica
a ideia de fazer uma obra coletiva de uma maneira em que cada artista
trabalha despreocupado, com seu ego vazando e a criatividade fluindo", ele
se refere ao fato de que a obra se caracteriza por reunir todos num mesmo
projeto, mas cada artista mantem sua originalidade e realiza aobra em seu
próprio atelier. "Pintar é minha vida e continuar pintando exerce um
importante papel na minha recuperação", completa.

O artista Jota Medeiros conceitua como genial essa reunião de nomes e disse
que já está com sua parte da obra pronta há vários dias. "Estou ansioso para
vê-la em seu devido lugar. Tenho certeza de que Nalva merece nosso empenho",
declarou. Jota relembra a participação de Elidete Alencar, diretora do
Núcleo de Artes da UFRN (Nac-UFRN) no processo de concepção da mostra
permanente. "Elas duas tiveram uma conversa muito produtiva. Ambas se
parecem porque são muito batalhadoras".

Na época um cartunista talentoso, um dos oitavos componente da mostra é o
publicitário Dickson Tavares, que considera o evento uma ótima oportunidade
de mostrar ao público como está sua carreira atualmente. "Nalva passou por
uma evolução fantástica e eu também terei o prazer de mostrar que evoluí,
que ao longo desses 12 anos consegui aplicar minha habilidade de desenho às
artes gráficas", revela.

Os talentos que compõem a II Mostra Coletiva de Artes Plásticas são muitos.
Tem Marcelus Bob, figura mais do que eterna no salão, autor de um painel
pintado na parede do café, apresentado oficialmente no primeiro evento
comemorativo aos 15 anos do Café Salão. "Já estou no espaço, o que é uma
honra, e agora contribuo com muito prazer para este evento", afirma. Ele e o
colega Marcelo Fernandes participam das reuniões da produção desde a
primeira chamada e ficaram muito felizes com o reencontro possibilitado por
Nalva. "Naquele época, éramos outros artistas, ainda estava consolidando a
carreira. Hoje podemos nos considerar completos, como este espaço é, por
isso acho importante nos reunirmos novamente", declarou Fernandes, que faz
maravilhas com seus gizes multicores.

O escultor Zaia manteve contato com a produção do evento através de seu
agente, Augusto Santos, e confirmou sua participação imediatamente, mesmo
sem saber se iria receber cachê pelo trabalho. O despojamento dos artistas,
em produzir uma obra especial, mesmo diante da insegurança de remuneração do
trabalho, deixou a cabeleireira Nalva Melo muito feliz. "Bem, o que eu posso
dizer mais acerca dessa exposição e da oportunidade de ter em meu salão a
assinatura de oito artistas tão talentosos? Não tem preço, não tenho
palavras, estou muito feliz e agradeço a todos".

Para viabilizar os custos da exposição, foi elaborado um projeto e
apresentado a algumas empresas e parlamentares. Quem deu resposta positiva à
captação de recursos foi a gráfica Offset, o bistrô Fish Maria (que
funcionará no térreo do atelier de Flávio Freitas), com permutas, e os
políticos Fernando Mineiro, Fátima Bezerra e Júlia Arruda, com contribuições
financeiras. Como haverá uma obra permanente no salão, a produção estipulou
o pagamento de R$ 500 para cada artista, a título de cachê. Infelizmente, a
captação foi bem aquém do valor total, de modo que os artistas estão fazendo
o trabalho naquele velho estilo que muito conhecem: por amor à causa.

II Mostra Coletiva de Artes Plásticas

"Café Salão 15 anos"

Vernissage: 30 de julho, 20h.

Local: Nalva Melo Café Salão

Av. Duque de Caxias, 110. Ribeira

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