E quem quiser os audios das audiencias publicas referidas abaixo é só
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A IMPOSTURA COMO MODELO DE GESTÃO


Nesse insólito episodio chamado "Arena das Dunas" a impostura tem sido o
modelo adotado pelo autoritarismo dos governantes (i) responsáveis pelo
"negócio" arquitetado e fielmente obedecido pela vassalagem, desde o momento
em que ludibriaram o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves fazendo-o assinar um
termo de compromisso com a FIFA, em nome de Natal, pensando que estaria
prometendo reformar o "Machadão" para a Copa de 2014, nos padrões
solicitados por aquela entidade, enquanto sua parceira assinava o mesmo
documento, em nome do Estado do Rio Grande do Norte, sabendo que estava
assinando sorrateiramente a sentença de demolição não só daquele estádio,
como de todo o patrimônio público que o cerca, constituído ainda mais,por um
ginásio poliesportivo, centro administrativo estadual, um grupo escolar,uma
creche, um Kartodromo, o Altar da missa do Papa João Paulo II, conhecido
como "Papodromo", um heliponto, equipamentos complementares, praças, jardins
e equipamentos urbanos, patrimônio de grande valor, não apenas material, mas
principalmente aqueles materialmente imensuráveis , como os bens e direitos
de valor artístico,estético,histórico,turístico e paisagístico, cuja
proteção é conferida por dispositivos constitucionais aos poderes
legislativos em qualquer das esferas no estado democrático de Direito.

Pouco depois, já contando com a cumplicidade da nova administração municipal
criava-se um comitê especial para gestão do desmanche fazendo o povo
acreditar, como justificativa, que aquela copa tornaria Natal uma cidade
paradisíaca, fazendo-a um exemplo de qualidade de vida para o primeiro mundo
, chegando até a prometer um sistema de educação tão sofisticada que iriam
ensinar línguas estrangeiras, às crianças na rede escolar convencional, como
também através de cursos especiais para servidores do sistema de turismo,
tais como, taxistas, garçons, e até outras atividades "especiais", para
tratar bem aos visitantes durante os 10 dias da copa, e nos dois a três
jogos de menor expressão, previstos para aquele período. Somente não foi
dito ao povo que o sacrifício do seu patrimônio teria como objetivo o
loteamento da gleba para sua alienação em favor de capitais privados, ainda
hoje desconhecidos.

Assim, foi montado poderoso e eficaz sistema de Propaganda Enganosa que
manteve a população anestesiada durante muito tempo, até que a partir de
janeiro do corrente ano a grande imprensa do sul começou a levantar
suspeitas de que interesses escusos estariam por trás do evento copa do
mundo 2014 em todo o Brasil, principalmente em relação aos contratos
milionários de consultorias sem licitação, citando até Natal, como tendo
pago a fabulosa importância de 3,6 milhões de reais por um deles. Pelos
fatos mais recentes, a imprensa local também acordou, apesar das pressões, e
hoje toda a cidade suspeita que forte jogada de especulação imobiliária está
armada, e o chamado "Delírio" (de Nabucodonozor) aos poucos se vai
esmaecendo.

Um dos últimos exemplos dos embustes que caracterizam essa dilapidação dos
bens públicos é a recente manchete do O jornal de Hoje da ultima 4ª feira 26
de agosto anunciando o heroico e dispendioso feito da conclusão das licenças
ambientais e urbanísticas, em tempo Record, passando por cima de todos os
procedimentos legais, chegando a noticia até a insinuar certo
comprometimento ao conceito do Ministério Publico do RN, afirmando sua
aprovação àquela farsa.

Por que embuste ? Sabe-se que a poluição orgânica proveniente de excrementos
humanos e animais ou decorrentes de interferência antrópica nos lençóis
d'água ou quaisquer ambientes aquáticos, deve propagar-se e provocar reações
de forma integral, portanto a abrangência de um estudo de impacto ambiental
não pode ser fracionada, sob pena de perder sua eficácia, O mesmo pode-se
dizer em relação aos demais impactos, principalmente o de transito, que não
é apenas local, mas atinge toda a área de interferência nos espaços urbanos
mais remotos. E, o que dizer do impacto de vizinhança que ocorrerá da
demolição , do transporte dos escombros , da poeira, dos ruídos, do transito
das maquinas pesadas, etc., e por quanto tempo ?

Assim, tratando-se da ocupação de uma área urbana de alta fragilidade
ambiental,onde se planeja um montante de construções que poderá ultrapassar
a um milhão de metros quadrados, e, em conseqüência, uma dejeção de alguns
milhões de metros cúbicos de efluente despejado sobre um lençol d'água, "in
natura", qualquer licença ambiental cavilosamente limitada a apenas um
pequeno percentual desse universo, não é só uma fraude como crime de
malversação do erário. Igual raciocínio pode ser aplicado ao impacto de
alguns milhares de veículos acrescentados àquele gargalo. Mesmo assim,
querem nos convencer a todo custo, que os impactos serão positivos em termos
da terminologia acadêmica dos "especialistas". Natal não é a cidade de
beócios que imaginam.

Quando forem tornados conhecidos os acontecimentos registrados nas
audiências ditas públicas, ocorridas nos últimos dias 24 e 25 em desacordo
com os dispositivos da Lei 6.938/81 e Resolução 006/86-CONAMA, vão-se
constatar os incidentes havidos não só com os poucos cidadãos livres que ali
compareceram, como também representantes de organizações ambientalistas,e
até conselheiros do CONPLAM. Por isso, é prudente esperar pela análise dos
representantes das defensorias públicas.

Moacyr Gomes da Costa – Arquiteto

7473 D – CREA RJ

Registro Nacional 200288655-5

Natal/RN 30 de agosto de 2009

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