Na Esquina do Mundo, um beco: A hora do cão
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Publicação:
10 de Setembro de 2009 às 00:00
 Por Michelle Ferret

“Esquina do paraíso com o inferno... Há pouco, o sol beijou a luz e, sob o
canto suave da Ave Maria, eles fizeram juras eternas de amor. A rainha da
noite, excessivamente romântica, cheia de saliva, fez amor nos astros e
estrelas, deliciou-se na boca do seu amante, virou música, verso prosa...”

 Alex Régis

[image: Cláudia Magalhães se inspirou no movimento do Beco da Lama]

Cláudia Magalhães se inspirou no movimento do Beco da Lama

Com sua escrita carregada de poesia e densidade, Cláudia Magalhães - que já
experimentou a vida de diferentes personagens como atriz – lança hoje o
livro “Esquina do Mundo”, às 18h na livraria Siciliano.

A inspiração de todo o texto dramatúrgico surgiu entre as calçadas, as mesas
e os transeuntes do Beco da Lama. De lá, os personagens ganharam vida a
partir da observação e a criação de Cláudia. “O Beco pra mim é um pedacinho
do mundo. É um painel de gente de todas as esferas, de todos os sentidos.
Por lá circulam artistas, jornalistas, músicos, mendigos..é um painel que
grita aos olhos”, disse Cláudia gesticulando com as mãos como se pudesse
desenhar esse mundo.

Para ela, que sente a vida como atriz e agora como escritora de textos
teatrais e contos, o Beco da Lama sempre foi um espaço onde as histórias são
costuradas o tempo inteiro. “Foi nesse universo que criei os 11 personagens
do livro. Eles são malditos, dilatados, assim como são as pessoas quando
estão transitando pelo Beco. O que sinto naquele lugar é isso. As pessoas
ficam a flor da pele, abertas”, acredita.

Denso e com força existencial – característicos dos textos de Cláudia como
“Lua Negra” - “Esquina do Mundo” é um retrato dos homens, da forma como as
relações acontecem na vida. Traça destinos, desfaz caráter, revira a
existência em 95 páginas.

Como escreveu Nei Leandro de Castro no prefácio do livro, “Onze personagens
todos malditos (inclusive um de carne e osso, Gardênia, que habita o Beco da
Lama) conversam entre copos de cachaça com limão e mel, rum e coca-cola. As
dalas são todas em versos rimados e a autora sustenta essa estrutura, com
engenho e arte, até o final da sua peça...”

Editado pela Mekong Editora, o livro ainda traz a arte de Marcelus Bob na
série “Os Repentistas”. Bem cuidado e com um vermelho encarnado que já
anuncia ao que veio, o livro é importante não só por abrir os caminhos da
dramaturgia potiguar no Brasil, como por ser o que é, intenso.

A noite de lançamento contará com Danilo Guanais tocando três canções em
homenagem ao livro, além de performances e rodadas da famosa “meladinha”,
cachaça com mel e limão que gira pelo Beco da Lama.

Serviço
hoje, às 18h na Livraria Siciliano
* *Tribuna do 
Norte/VIVER<http://tribunadonorte.com.br/noticia/na-esquina-do-mundo-um-beco-a-hora-do-cao-lobo/124838>
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