ESTRATÉGIA & ANÁLISE-  ISSN 00331983
                  Dois artigos publicados nesta semana:
O pré-sal é um tema de soberania e Marina Silva e as identidades representadas
 
Marina Silva e as identidades representadas
02 de setembro de 2009, por Bruno Lima Rocha 

A ex-ministra do Meio Ambiente e senadora pelo Acre, Marina Silva, deixou o PT 
para se filiar ao PV. Tanto o caso de sua saída como o fato de haver optado 
seguir por dentro do bloco que compõe o governo Lula são de amplo domínio. 
Particularmente, entendo que esse arroubo de desencanto chegou tarde por dois 
motivos. É tardia sua crítica paulatina e moderada aos anos de Luiz Inácio. E, 
no que diz respeito à lida política cotidiana, sua entrada na legenda dos 
Verdes não irá transformar a cultura interna desse partido. 
Embora tenha uma aura correta, o Partido Verde termina por optar pelas alianças 
táticas de conveniência. Pode até alegar que seu maior interesse como agrupação 
política são as temáticas ambientais. Isto, em tese, justifica o PV ser 
co-governo com PSDB, DEM, Lula (PT) e mais quem vier. Em todos os níveis de 
governo, o padrão é não ter padrão. Assim, podemos afirmar de maneira ponderada 
que a nova legenda de Marina é mais uma legenda brasileira, com algumas 
virtudes e abundância de mazelas. 

Entendo que a maior mazela do PV como proposta não é a convivência com as 
legendas tradicionais, verdadeiras escolas de patrimonialismo. O grande 
problema é a ausência de sujeitos organizáveis com um mínimo de coerência 
interna. Explico. Ao contrário dos seus referentes europeus, o movimento 
brasileiro em defesa do meio ambiente tem raízes que ultrapassam qualquer 
conservacionismo. Quando uma visão de desenvolvimento sustentável, baseada na 
defesa dos recursos naturais não renováveis vem à tona na sua expressão social, 
conservar significa literalmente manter o estilo de vida de populações 
inteiras. 

Como a companheira de lutas de Chico Mendes bem o sabe, geralmente estas 
lógicas sociais implicam em não deixar de existir como tal. Nestes processos, a 
identidade e o modus vivendi tornam-se sujeitos sociais passíveis de ser 
organizados e ansiosos por protagonismo. Este é um dos fatores que permitem a 
existências de redes e movimentos populares garantindo a defesa específica, mas 
também unificando ribeirinhos, seringueiros, pescadores, remanescentes de 
quilombos, posseiros e os povos originais (erroneamente chamados de indígenas). 
É na fronteira viva da Amazônia Legal onde se encontra o caldo de cultura para 
esta possível unidade e ao mesmo tempo se sente o duplo discurso do Estado 
brasileiro. Fala-se em desenvolvimento sustentável e pratica-se a exploração 
desenfreada, sem planejamento e em larga escala. 

Pelo visto, é Marina quem vai catapultar o PV e não ao contrário. Ainda que a 
senadora acreana seja autêntica e reconhecida entre estes sujeitos sociais, sua 
nova legenda política não tem legitimidade para incidir nestes setores. Quando 
as identidades são baseadas em um modo de vida, as estruturas de intermediação 
política importam pouco ou nada.
 
O pré-sal é um tema de soberania
09 de setembro de 2009, da Vila Setembrina outrora farrapa, do Rio Grande ds 
traídos em Porongos e das batalhas não peleadas na vergonha de Ponche Verde, 
Bruno Lima Rocha 

Estabeleço um debate neste artigo, fugindo de rótulos e chavões. Estou de 
acordo com a exploração estatal de 70% do combustível fóssil abaixo da camada 
de sal e da capitalização da Petrobrás, nas franjas das reservas do pré-sal 
infelizmente já licitadas para companhias privadas. Também entendo ser a 
criação do Fundo Social uma necessidade para terminar com a divisão de tipo 
oligárquica dos royalties do petróleo.
Embora o tema tenha sua complexidade, pode passar por uma análise de correlação 
de forças e de intencionalidade. O Brasil descobre em sua área oceânica 
reservas que permitirão a auto-suficiência de extração e refino talvez para os 
próximos cinqüenta anos. Trata-se de alto investimento para iniciar a 
exploração, mas nada que se compare com a incerteza claudicante da Petrobrás 
até o início de exploração de petróleo em águas profundas. Estamos em um 
momento muito mais favorável. O país, através da executora do monopólio por 44 
anos (1953 a 1997) aprendeu todo o ciclo da pesquisa, extração, exploração, 
refino e distribuição do petróleo e seus derivados. Ou seja, nós sabemos. 

A amarra no Brasil está na ordem legal. A Lei 2004 de 03 de outubro de 1953 
cria o monopólio estatal, incumbindo a Petrobrás da execução do mesmo. Esta 
segurança jurídica da soberania brasileira não impediu a empresa de sofrer 
pressões sem fim, agravadas com a presença de homens da caserna durante a 
ditadura. Ainda assim, ninguém em sã consciência pode afirmar ser a estatal 
“incompetente” na sua atividade-fim. Já na era democrática, entendo que o país 
sofreu uma derrota quando da assinatura da Lei 9478 de 1997. Neste texto, com 
firma de FHC, é “flexibilizado” o monopólio estatal da exploração e criada a 
Agência Nacional de Petróleo (ANP). Toda a atual insegurança jurídica deriva 
daí. 

O governo de Luiz Inácio, como sempre, claudica e apanha por direita e por 
esquerda. A oposição e os governadores detentores dos royalties defendem o 
adiamento do regime de urgência no Congresso. Já os participantes da Campanha O 
Petróleo Tem Que Ser Nosso, questionam a mesma pressa em função da permanência 
dos regimes de partilha e concessão, além dos leilões de campos de petróleo, 
ainda que por outras vias. Se não fosse pela vacilação de sempre, e este 
governo poderia inaugurar uma nova era na matriz energética nacional. 

Se nós estamos entrando na era da energia limpa, é mais do que necessária a 
reserva de combustível fóssil, até para modificarmos a matriz energética e de 
transporte sem passar por crises de escassez. Para tanto, é necessário que a 
nação possa opinar a respeito deste tema estratégico. Isto implica retomar a 
soberania no planejamento de exploração e produção de petróleo. Portanto, 
precisamos na verdade, não de uma acomodação de interesses, mas sim da revisão 
da Lei 9478/97. E, infelizmente, isto esse governo não vai fazer.
 
Leia Mais: http://www.estrategiaeanalise.com.br
Estratégia & Análise: a política, a economia e a ideologia na ponta da adaga.
 
Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Revisão, diagramação e envio: Lisandra Arezi
www.estrategiaeanalise.com.br
Fone: 55 51 9974 8052
Correio: [email protected]
msn: [email protected]
skype: bruno.lima.rocha
 
http://groups.google.com.br/group/estrategiaeanalise 
 
Agradecemos a publicação deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o 
favor de enviar para nosso endereço eletrônico o LINK da página onde o texto 
foi reproduzido. Caso não queira mais receber os artigos, por favor, envie 
e-mail para [email protected].
Gratos pela atenção
 Estratégia & Análise e Equipe
 
 
 
 
 
 
 


      
____________________________________________________________________________________
Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! +Buscados
http://br.maisbuscados.yahoo.com

Responder a