A Copa da sandice A velha prática potiguar está gozando no pau do governo um empréstimo milionário no BNDES, de R$ 400 milhões, para erguer no meio de Natal um estádio de futebol nos moldes da Europa para atender um ou dois jogos da Copa 2014.
A velha prática torce para que o dinheiro apareça logo e o erário público acumule a dívida para ser paga em décadas, enquanto falta dinheiro para o básico do atendimento à população do RN. Mas a velha prática não vai divulgar, nem comentar, a notícia veiculada há poucos minutos na TV Band, de que o governo do Estado vai encerrar no Hospital Santa Catarina o atendimento no setor pediátrico. Ou seja: as crianças pobres da Zona Norte de Natal, maior região urbana na caça de votos dos políticos papajerimum, ficarão sem médicos. É um absurdo, uma pouca vergonha, um crime mesmo, o que ocorre em Natal e no RN. Políticos e assessores que nunca sequer sentaram a bunda numa arquibancada de futebol, agora vomitam teses econômicas e sociais sobre a Copa do Mundo, enquanto tramam o endividamento do serviço público para faturar votos com a bola. Como um Estado pobre, com uma capital cheia de problemas, pode incorrer no deslize, na imoralidade, de arcar com empréstimos milionários para erguer um estádio gigantesco que depois da Copa ficará como um elefante branco a comer o orçamento público, enquanto falta o básico para o povo? Jamais se viu a classe política do RN tão unida para fazer empréstimos em prol de projetos que realmente beneficiassem o futuro e o desenvolvimento e fossem de verdadeiro interesse da população. Mas essa gente tem seus filhos nos melhores colégios e com bons planos de Saúde, não está preocupada se algumas crianças pobres morrem na periferia, enquanto a bola rola por dentro e por fora das conversas sobre a Arena das Dunas. Está faltando em Natal autoridades e jornalistas que denunciem tão vergonhosa artimanha política travestida de ação administrativa e de benefício para o povo. Que cada centavo saindo ou entrando dos cofres públicos seja investido no futuro do Estado. Que ele não morra em descasos como este agora no Hospital Santa Catarina. Tenham vergonha, senhores e senhoras!
