podiam publicar a lista! Lex
2009/9/17 Yuno Silva <[email protected]> > > > > <http://2.bp.blogspot.com/_IrbyFrxwx98/SrKwFkC_UCI/AAAAAAAAFbQ/qRLTW3R6Gvk/s1600-h/GGI.jpg>TRIBUNA > DO NORTE - 19/jul/2009<http://tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=116314> > Foto: Marcelo Barroso > > Equipe da Denarc conseguiu contabilizar as bocas de fumo em quatro bairros > de Natal e os número impressionam > > Um número que impressiona e que representa bem a aflição dos moradores de > Natal. Representa também o poder de alcance dos narcotraficantes, o > sofrimento de milhares de famílias e a incapacidade das polícias em > minimizar a influência do tráfico de drogas, que tomou conta da cidade. > Segundo um levantamento feito pela Delegacia de Narcóticos (Denarc) a partir > das denúncias realizadas pela população, em apenas quatro bairros da capital > são 758 os pontos de venda de entorpecentes. > > A informação foi passada semana passada, pelo delegado Odilon Teodósio, que > tem a dura missão de tentar diminuir o comércio de drogas em Natal. “É só > para se ter uma ideia de como está o tráfico aqui”, disse o delegado. Foram > escolhidos os bairros das Quintas, na zona Oeste, onde há 233 bocas de fumo, > Ponta Negra, na zona Sul, com 209 pontos, as Rocas, que tem 164 bocas de > fumo e o conjunto Vale Dourado, Zona Norte, onde foram registrados 152 > pontos de venda. > > A título de comparação, o número de pontos de vendas de drogas nesses > quatro bairros é 457,35% maior que o número de escolas da rede municipal de > ensino em toda a capital, que é de 136. Se for comparado com o número de > unidades básicas de saúde na cidade, que é de 76, o número de bocas d e fumo > é 501,47% maior. A grande oferta significa um grande número de usuários, o > que, por tabela, quer dizer mais trabalho para a polícia em relação a outros > delitos. O tráfico de drogas traz com ele uma série de outros crimes como > homicídios, assaltos e furtos, que os dependentes cometem em busca de > dinheiro para comprar principalmente crack e maconha. > > “A gente vai atrás do traficante grande, porque desses pequenos fica > complicado”, explicou o delegado Odilon Teodósio, que essa semana comandou a > prisão do ex-policial militar Marcelo Marcondes da Luz, que atuava nas > Rocas. > > O experiente delegado conta que em Natal algumas delegacias distritais > colaboram na prisão de traficantes, também fazendo investigações contra o > tráfico. Mas defende que a colaboração poderia ser maior, já que a demanda > da Denarc fica pesada demais para o efetivo que é reduzido. > > Psicanalista conta o drama dos viciados > > Quem trabalha há muitos anos na recuperação de dependentes de drogas > percebe claramente como a grande oferta das substâncias atrapalha o > tratamento e a vida dos usuários. O psicanalista Stenio Saraiva Barros lida > diariamente com essas pessoas e vê o sofrimento delas em tentar se afastar > de substâncias que são trazidas até em serviço de motoentrega. > > Quando falou com a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE, Stenio Saraiva > havia acabado de atender minutos antes em seu consultório, um viciado em > cocaína, que lhe fizera uma revelação. “Esse rapaz acabou de me dizer que > vários desses pequenos hotéis no centro da cidade são pontos de venda de > drogas. A droga que você quiser é possível encontrar nesses pontos, segundo > o meu paciente”, disse o psicanalista. > > Segundo Stênio Saraiva, os pacientes que passam pelo consultório dele já > relataram do serviço de “disque-droga”, em que o usuário pode fazer o pedido > do entorpecente pelo telefone e uma pessoa vai deixar em uma motocicleta, > onde ele estiver. “A facilidade é muito grande. Anos atrás havia um ponto de > venda em um shopping da cidade. Era só chegar ao estacionamento, ficar um > tempo lá que o cara vinha lhe oferecer”, denunciou. > > O professor Stenio ressalta a dificuldade criada no tratamento para os > dependentes a partir da facilidade com que a droga é encontrada. Segundo > ele, o desejo do dependente sempre aparece, e se a droga está próxima, ele > pode saciá-lo e alimentar o vício sem qualquer problema. > > A disseminação das drogas pelas ruas tem um outro lado tragicamente > importante: cada vez pessoas mais novas têm acesso aos entorpecentes. > Saraiva lembra que atendeu em uma instituição pública, um menino de seis > anos que já usava crack. “Ele chegou lá com um estado de saúde que precisou > ir direto para o hospital. Desnutrido, magro, não tinha forças nem para > falar. O estado do menino era deplorável . Ele realmente precisava de ajuda > para poder largar o vício e a droga que o estava matando”, disse o > psicanalista. > > Entrevista: Elias Nobre - Delegado-Geral de Polícia Civil > > É possível dar conta de tantos pontos de venda? > Olha, o que dificulta nosso trabalho é o varejo do tráfico. A quantidade > realmente é grande e se a gente trabalha só no varejo fica difícil. Por > isso, a polícia hoje faz um trabalho direto na fonte. É uma questão de > prioridade. Atacando os grandes traficantes e prendendo, estamos combatendo > indiretamente os pequenos. Não adianta encher os presídios de peixes miúdos > e deixar os tubarões do lado de fora. Claro que já fizemos várias prisões > com pequenas quantidades de crack, como três ou quatro pedras, mas é preciso > atacar o grande. > > As drogas estão espalhadas por todos os bairros. O quanto isso dificulta > mais, visto que antes ela se concentrava mais na periferia? > Não só em todos os bairros, como em pequenas cidades do interior. Há > cidades que até pouco tempo atrás nem se sabia o que era droga, e hoje a > gente vê crianças drogadas no meio da rua. Aliás, este é um problema do país > inteiro. É um problema não só de polícia, mas principalmente social. > > Certamente o tráfico representa uma demanda maior porque acaba relacionado > a outros delitos... > Um exemplo é a quantidade de objetos apreendidos na casa de Marcelo (ex-PM > preso por tráfico no bairro das Rocas) esta semana. Todos trocados por > drogas. Para conseguir a droga o usuário acaba roubando ou furtando. Vemos > inclusive pessoas espancando os pais para conseguir dinheiro. Muitas vezes > estamos investigando uma quadrilha de traficantes e prendemos pessoas > envolvidas em roubo a bancos, de cargas ou grupos de extermínio. > > Adianta fazer trabalho policial, sem um outro de prevenção? > Se não houver o cuidado com o lado social, você pode construir uma cadeia > por dia, que todas vão encher. > > As delegacias distritais têm sido orientadas a fazer o combate ao tráfico, > ou somente a Denarc tem feito? > As distritais precisam fazer de tudo. Claro que a Denarc é uma > especializada. Mas apesar da competente equipe que temos lá, e o do delegado > que considero um dos melhores do Brasil, a demanda realmente é muito grande. > > Qual a importância do “Disque-Denúncia” para a polícia? > É a mais importante fonte de informação que temos. Todas as denúncias são > checadas pela pessoal da inteligência e investigadas pela delegacia > correspondente. É importante que a população continue denunciando, para que > nós possamos continuar fazendo as prisões. > > > -- > Postado por Yuno Silva no .: SOS Ponta Negra . Natal . RN . Brasil > :.<http://sospontanegra.blogspot.com/2009/09/natal-contabiliza-758-bocas-de-fumo-em.html>em > 9/17/2009 06:48:00 PM > >
