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2 de Setembro de 2009 às 09:55 Como cidadão, Moacyr Gomes fala em "Vitória
da Insensatez e da
Ganância"<http://tribunadonorte.com.br/abelhinha.com/post.php?id=43207>

     Após o corajoso pronunciamento do *Deputado José Adecio *com o aval de
alguns dos seus pares, em sessão na Assembléia Estadual do dia 17 último,
surge um fio de esperança de que a sociedade natalense venha  a escapar da
derrota  diante do poder da ganância dos especuladores e da insensatez dos
governantes, evitando o processo de demolição do patrimônio publico
representado pelo chamado “*Complexo do Machadão*” sob alegação de ser a
única maneira de levar Natal a bancar uma sub sede da Copa 2014. Nada mais
falso, a *FIFA *em nenhum momento pediu para demolir nada, simplesmente quer
um estádio que atenda suas especificações, e todo mundo já sabe que o
Machadão seria preparado para tal fim, dentro de suas limitações econômicas,
como as outras cidades convidadas estão fazendo, até mesmo as mais ricas,
como São Paulo por exemplo.


          A idéia de reforma e adaptação  do estádio existente, foi
simplesmente boicotada  pela insensatez e insensibilidade dos governantes e
pela ganância de  de espertalhões que farejam o pouco que temos como urubus
na carniça.

          Não há em lugar nenhum quem seja contra a participação num
espetáculo desta projeção mundial e nem se discute os benefícios que poderão
trazer, mas, quando começou a lavagem cerebral do povo por meio da
propaganda enganosa, ao prometerem que  o evento faria de *Natal uma nova
Dubai * as pessoas menos incautas da comunidade começaram a desconfiar que
algo de escuso estava por trás de tudo, e aí começou a polêmica, a imprensa
e colaboradores avulsos, blogs e discussões em reuniões  triviais, o povo em
geral, todos passaram a trocar o assunto “ poda do cajueiro de Pirangí,” ou
o “ baobá de Saint Exupéry”, por uma polêmica mais apaixonante, e menos
elitista,  discutida sob enfoques diversos, a maioria criticando o absurdo
de pagar-se uma fortuna  a uma consultora de fora, como sempre sem
licitação, pelo conselho de demolir um patrimônio que custou o dinheiro do
contribuinte  e parte de sua história.

          Os preservacionístas, principalmente arquitetos, certamente
deveriam estar contra o  desmanche da memória arquitetônica da cidade, e
invasão do seu mercado de trabalho por empresas alienígenas protegidas por
contratos ilegais, o mesmo em relação aos  engenheiros  e
economistas.

          Os ambientalistas deveriam estar revoltados com a degradação
ambiental que poderá resultar do mega projeto anunciado, os engenheiros de
transito e urbanistas estariam  preocupados com o catastrófico
congestionamento que ocorrerá naquele nó, os católicos deveriam estar
inconformados com a destruição do altar onde houve a única missa de um *Papa
em Natal*, por sinal o futuro novo santo *João Paulo II*  ou  Karol Wojtyla,
(Sem duvida, se Natal tornasse aquele espaço um lugar sagrado, até do ponto
de vista turístico, a cidade teria muito mais visibilidade para o mundo,
permanentemente, do que 2 a 3 jogos de menor importância durante 15 dias de
uma
copa)


           E assim por diante, os funcionários  do estado não sabem aonde,
nem como vão trabalhar, as crianças vão perder  seu aprendizado e seu
lazer,no grupo escolar e na creche que pretendem demolir,os jovens kartistas
também, os moradores do bairro e entorno adjacente, perderão seu sossego e
mobilidade por muito tempo, face ao caos a ser instalado (além dos
assaltantes que os esperam na porta de suas casas). O torcedor pobre  ou
pobre torcedor perderá o circo onde extravasa suas emoções, já que o pão
está cada vez mais difícil.

           Por fim, a engenharia potiguar perderá um raro e  grande exemplar
de sua competência,  se for demolida aquela bela e rara concepção estrutural
concebida pelo saudoso professor *Helio Varela *de Albuquerque em parceria
com o professor J*osé Pereira da Silva*, cabendo dizer que, na minha
opinião, como autor do projeto arquitetônico, aquela obra de engenharia,
representa parte das estrofes que compõem aquilo que o saudoso *Cortez
Pereira* chamou de “poema de concreto” ; se o povo concorda com essa
assertiva, por que permitir-se sua destruição ?

            Mas a  engenharia política dos nossos governantes já inventou
uma compensação para essa perda, vai transformar o entulho da demolição em
“asfalto ecológico”  para pavimentar as ruas de Natal e ganhar votos nas
próximas eleições.

            Uma sugestão, quando faltar asfalto, um bom reforço seria a
demolição do forte dos *Reis Magos*, somado à demolição do marco
comemorativo dos 400 anos da cidade, outrora chamado pejorativamente de
“parangolé”, hoje popularmente conhecido como monumento dos *Reis Magos*,
premiado e apontado por outras culturas mais avançadas, como um dos mais
importantes exemplares da engenharia mundial contemporânea (criação
estrutural também da lavra do *Professor José Pereira da Silva*, e
arquitetura de profissionais locais) .

             Mas, estão todos calados, *Martin Luther King *tinha razão, aí
está o  perigo, no silencio dos arquitetos,  engenheiros, economistas,
ambientalistas, de  parte maior da imprensa, da  igreja,  até do  Ministério
Publico, tão brioso e lutador na defesa implacável dos bens e direitos do
povo, enfim, quase todos submissos e cúmplices do poder quase imbatível da
insensatez e da ganância,

             Infelizmente nossos senhores feudais não enxergam o obvio. A *Copa
*entra nessa estória apenas como mascara para esconder algo muito mais
grave.

              Esperemos que os representantes do povo nas casas
legislativas, abaixo de *Deus*, consigam deter essa fúria demolidora que
apossou-se dos iconoclastas, evitando a destruição do patrimônio e a
imolação da dignidade do povo potiguar.

*
                                                                 Moacyr
Gomes da Costa


Cidadão*

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