*O Elefante das Dunas à deriva*

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*O* projeto do estádio Arena das Dunas, que Natal apresentou à FIFA e CBF,
entrou numa maré complicada, não somente por causa das irregularidades
apontadas pelo Ministério Público, nem pelo sumiço dos investidores privados
que os agentes públicos tanto decantavam em blogues e versos.

Depois da grande batalha imobiliária e política em que se transformou o
andamento do processo burocrático, o próprio escritório de arquitetura, que
veio da Europa para esboçar o projeto básico e depois esmiuçar a parte
estruturante, está dando sinais que quer tirar o time de campo.

O profissional responsável pela empresa não está gostando nada da disputa
renhida que ocorre nos bastidores oficiais, onde todos agem como abutres
diante da carniça que é o valioso terreno de Lagoa Nova aonde se situa o
estádio Machadão e o Centro Administrativo do Governo do RN.

Com a entrada em cena do Ministério Público questionando a confusão, a
empresa, que tem um nome e uma marca a zelar no mercado internacional, não
parece disposta a se meter no meio de uma querela política e jurídica. Sua
participação no projeto – teria dito o representante – foi arquitetônica,
urbanística e estruturante, e não política.

Há muito venho dizendo que a pantomima governamental é só jogo de cena para
vencer as barreiras legais com o peso do marketing e do jornalismo amestrado
e cúmplice.

Não tem investidor estrangeiro coisíssima nenhuma interessado no projeto, a
empresa portuguesa Luso Arenas sumiu depois que eu desmascarei o modus
operandi que já tem uma década de Brasil.

E agora, em se confirmando a fuga do escritório que desenhou o complexo na
Lagoa Nova, o Elefante das Dunas fica à deriva, navegando entre os devaneios
oficiais e as notas bajulatórias das colunas e blogues bairristas.

Do jeito que está hoje, o projeto não anda, é preciso uma alternativa viável
e racional para salvar a presença de Natal na Copa 14. Falta também um bom
interlocutor entre o Comitê Gestor e o Ministério Público. Sem tal figura,
complica mais ainda.

http://www.alexmedeiros.com/

É possível uma salvação, desde que os interesses políticos e empresariais
dêem lugar ao interesse da cidade e que o projeto cumpra as normas e regras
exigidas pelo Ministério Público. Do jeito que está, o Elefante das Dunas
patina em águas revoltas. E eu duvido que um paquiderme flutue em superfície
movediça.


A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, precisa entender de uma vez que foi a
cidade a escolhida pela FIFA, e que a entidade máxima do futebol precisa de
um bom estádio em condições e padrões europeus. Não caia na conversa,
prefeita, de que uma alternativa tira Natal do páreo.

É possível, sim, uma boa arena em outro local, num projeto racional e que
não atrapalhe a urbanidade da cidade. O problema hoje é que quem sai do
páreo são os abutres da carniça imobiliária.

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