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Se um marciano numa noite de
verão<http://embrulhandopeixe.blogspot.com/2009/11/se-um-marciano-numa-noite-de-verao.html>

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Pois: se um marciano numa noite, tarde, manhã de verão aportasse por estas
ribeyras muito se maravilharia com encantos que desconfio noutras terras não
existem. A começar pela decoração de Natal deste ano – ano este, diga-se de
passagem, que finda em seus estertores e suspiros finais com a sofreguidão
dos assuntos mal-resolvidos, o que inclui quem apóia quem em 2010.

Mas, nunca é demais falar da decoração natalina 2009, que mistura o
chocolate quente de Gramado com as quenturas dos Currais Novos, numa liga
que não condiz nem a um nem a outro. Nosso amigo marciano, aliás,
estacionaria seu disco voador tranquilamente em qualquer um dos lados da
Avenida Afonso Pena, nossa Oscar Freire local, já que o propagandeado Via
Livre prefere dar polpudos prêmios jornalísticos [sic] invés de realmente
ser implantado onde mais se faz necessário.

O secretário municipal de serviços urbanos já declarou que “basta que a
população aguarde a decoração ficar pronta”, numa lógica sem lógica que o
produto final vai ficar melhor que o (péssimo) impacto inicial.

Pois, flanando pela Afonso Pena, entre um ligeirinho e outro, cada um
dirigindo pior, nosso marciano já pode observar que todo o troço vai ficar
ainda mais horroroso. Anjinhos encarnados, dependurados nas árvores, dividem
os galhos com sóis, que alguém mais atento já acenou para a possibilidade de
estarem sob o efeito de qualquer substância ilícita e entorpecente.

– Emaconhados – como se dizia uma época, sem meias-tintas, enfim.

O pior é que o pessoal da Semsur alertou que a equipe de designers [sic]
está aqui desde maio, preparando essa marmota (não há termo melhor, nem mais
nordestino).

O marciano também vai se inteirar que o tema do Auto de Natal deste
inesquecível Zero-Nove será “Maria, José e o Menino Deus”, o que é de uma
originalidade imensurável. Os direitos de transmissão para o SBT devem estar
assegurados, seguindo o raciocínio do autual, digo, atual presidente da
Funcarte.

O marciano também vai se maravilhar com o fato de que a poda das árvores da
Afonso Pena também está sendo feita concomitante ou após a implantação dos
penduricalhos, o que prova que a amizade desta Cidade com Portugal vai de
vento em popa.

Na contramão da burrice, o marciano há de passar na Banca de Tota – que ele,
a propósito, pensará ser a única existente na City, enquanto citada por dez
entre dez colunistas e blogueiros (não é engraçado ler notinhas tipo “a
última Vogue está uma maravilha e já chegou na banca de Tota”? – como se não
chegassem, esta e outras publicações, nas demais bancas). Pois, lá na banca
Cidade do Sol, o marciano vai saber que vem novo jornal por aí, nova revista
por aí, e novas eleições ano que vem. Também.
Só não vai saber que tampouco há novidade alguma nisso tudo ou em nada
disso, pois não é do hábito dos nativos se empapuçarem nem de Iessiênin,
quanto menos de Giuseppe Tomasi di Lampedusa – “Se queremos que tudo fique
como está, é preciso que tudo mude” (e, no original, pra eu me mostrar: “Se
vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi” ). Pois.

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