DIÁRIO DE NATAL - 22/nov/2009
Repórter: Gabriela Freire
Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press

Sem ciclovias, quem opta pelo transporte mais barato, saudável e
ecológico, tem que arriscar a vida no trânsito

Locomoção perigosa: homem pedala na Avenida Felizardo Moura, que não
tem pista especial para as bicicletas, apesar do intenso fluxo de
carros e caminhões

O porteiro Luiz da Silva escolheu a bicicleta para fugir do trânsito. E
também para fazer economia financeira e manter a boa forma e preparo
físico. Ele só esqueceu que fazendo isso estava indo ao encontro de
ruas sem sinalização adequada, falta de espaços reservados e motoristas
que ignoram os ciclistas. É essa a realidade vivida por aqueles que
trocam carros, ônibus e motos pela "magrela". Que evoluiu de brinquedo
a meio de transporte verde, eficaz e econômico.

Luiz pedala, diariamente, entre 40km e 50km. É de casa para o trabalho
e de lá para casa. "O trânsito é realmente muito complicado. Os
motoristas não respeitam o ciclista e os riscos são constantes",
reclama. O porteiro recorda o episódio quando estava pedalando e
foi "trancado" por um caminhão. "Tomei um susto grande. Ele me derrubou
e eu fiquei todo arranhado". Nem assim desistiu do veículo que usa
também como equipamento espotivo. "Eu gosto, faz bem para a saúde e
para o meio ambiente", afirma.

Nossociclista é apenas um personagem dentro de um universo que aumenta
constantemente. De acordo com dados da Associação Nacional de
Transportes Públicos (ANTP), colhidos em 2007, 7,4% dos deslocamentos
em área urbana são feitos de bicicleta, totalizando aproximadamente 15
milhões de viagens diárias no país. A frota nacional de 50 milhões
dobrou na última década e continua crescendo. Nem assim os ciclistas
ganharam mais respeito.

Frota nacional de bicicletas dobrou na última década

"Tenho amigos que têm vontade de usar a bicicleta, mas sentem medo. Eu
mesmo quase me acidentei na bicicleta. Os motoristas não respeitam, a
gente tem que disputar o espaço com carros, motos, ônibus e caminhões e
não existem ciclovias. Só conheço a da Via Costeira, mas não sei como
está hoje", alerta o guarda vidas Miguel Alves. O diretor geral
interino do Departamento de Estradas e Rodagens do RN, Dâmocles Trinta,
afirmou que o projeto da nova Via Costeira contempla uma ciclovia ao
longo de toda a via.

Em Natal as ciclovias são poucas e tem um único propósito: divertir.A
ciclovia da Avenida Itapetinga, no conjunto Santarém, mede pouco mais
de 2km e liga o início ao fim da rua. O secretário de mobilidade urbana
de Natal, Kelps Lima, garantiu que até janeiro do próximo ano a
situação vai mudar. "Vamos implantar aqui em Natal um projeto
semelhante ao Ciclo Faixa, de São Paulo. As pessoas que praticam
ciclismo por esporte vão ser contempladas com espaços destinados a elas
nos domingos. Avenidas importantes serão interditadas", explicou.

Desafio

Mas ele admitiu que a construção de ciclovias nas avenidas de Natal é
um desafio complicado. "Se a criação de um corredor para ônibus na
avenida Bernardo Vieira, que atende uma média de 500 mil pessoas por
dia, provocou tantas críticas, imagine se reduzíssemos a via para
implantar uma ciclovia?".

Enquanto isso, o gari Carlos Jorge percorre de 30km a 40km por dia para
ir e voltar do trabalho. "Sei que do mesmo jeito que tem motorista que
não respeita, tem o ciclista. Mesmo sabendo do perigo que passo
continuo utilizando a bicicleta como trasnporte. É barato e ainda faz
bem para o planeta", afirma.

Direitos e deveres do ciclista (segundo o Código Brasileiro de Trânsito)

- Os órgãos de trânsito têm obrigação de se preocupar com os ciclistas
e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.
(Artigo 21)

- Pedestres têm prioridade sobre ciclistas e ciclistas têm prioridade
sobre motos e carros. (Artigo 29)

- Os carros devem respeitar o ciclista. (Artigo 38)- As bicicletas
devem trafegar na rua, no sentido dos carros e nos cantos da via,
inclusive no esquerdo em caso de vias de mão única. (Artigo 58)

- Bicicletas não devem andar na calçada, só com autorização da
autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada. (Artigo 59)

- Buzina, espelho e "sinalização" na frente, atrás, dos lados e nos
pedais (que pode ser entendida por refletivos) são obrigatórios pelo
Código, mas capacete não. (Artigo 105)


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Postado por Yuno Silva no .: SOS Ponta Negra :. em 12/05/2009 11:49:00
AM

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