Paulo Jorge Dumaresq www.narizdedefunto.blogspot.com
Autos para quê? Para
quem?<http://narizdedefunto.blogspot.com/2009/12/autos-para-que-para-quem.html>
<http://1.bp.blogspot.com/_cqGk8aPCVz8/Sy_zKewSPKI/AAAAAAAAAPc/JWdUTI6QV50/s1600-h/Auto+do+Natal.jpg>Cerimônia
ecumênica no auto "Jesus de Natal"
 Nunca a política do "pão e circo" [no (o)caso de Jerimunlândia, mais circo
que pão], implantada pelo imperador romano Octávio César Augusto, foi levada
tão a sério em Natal. Refiro-me aos autos natalinos que, neste ano da graça
de 2009, são três. Na qualidade de pagador de impostos, questiono a
dinheirama gasta com esses espetáculos politiqueiros que só servem para
alienar a população da cidade. Cada auto estatal não sai por menos de R$ 400
mil. Juntando o montante investido nos dois autos daria para montar quantas
peças de teatro? Quantos CDs poderiam ser gravados? com uma verba que,
certamente, ultrapassa um milhão de reais. Espetáculos de dança, quantos? E
por aí segue.


Considero três autos natalinos (o outro é particular, mas com dinheiro de
renúncia fiscal) uma excrescência, um despautério, quando sei que no resto
do ano os artistas da cidade são tratados a pão e água. Quando muito. As
fundações culturais nunca têm verba para nada. E é incrível como a grana
aparece magicamente nos dois últimos meses do ano. Óbvio ululante que
atores, bailarinos, músicos e demais profissionais envolvidos nos autos, se
lessem este post - algo difícil de ocorrer, pois se trata de um blog sem
eira nem beira -, não concordariam com minha opinião. Preferem a esmola
estatal sagrada de todo fim de ano a reivindicarem uma política cultural que
priorize a dramaturgia, o teatro, a dança e a música produzidas em Natal e
no Estado nos doze meses do calendário.


Repito a pergunta: quantos bens culturais materiais e imateriais poderiam
ser produzidos com a dinheirama investida nos autos? Espero que alguém pense
nisso antes de levantar a bandeira desses espetáculos a céu aberto. Em
tempo: dirigi o Auto do Natal 2005, que agora se chama "de Natal", com texto
primoroso do poeta, escritor e teórico das HQs, Moacy Cirne. E assumo que
estou cuspindo no prato, sim. Tem mais não.

Responder a