Artistas se armam para o diálogo
Publicação: 13 de Janeiro de 2010 às 00:00

Sílvia Ribeiro Dantas - repórter

Com o intuito de unir diferentes segmentos artísticos e formar uma comissão
capaz de ter força para negociar junto ao governo e prefeitura, artistas se
reuniram no IFET da avenida Rio Branco, Cidade Alta, durante a manhã de
ontem, no que foi chamado de 2º Encontro de Artistas Potiguares. Na ocasião,
representantes do teatro, música, dança e artes circenses expuseram um pouco
das dificuldades enfrentadas por eles e ouviram sugestões do que pode ser
feito para modificar a situação.

Joana Lima[image: Após o 2º Encontro de Artistas Potiguares, ontem no IFET,
profissionais de várias áreas da cultura vão à luta em busca de seus
direitos]Após o 2º Encontro de Artistas Potiguares, ontem no IFET,
profissionais de várias áreas da cultura vão à luta em busca de seus
direitos
De acordo com um dos organizadores do encontro, o ator, diretor da República
das Artes, Lenilton Lima, é importante que diferentes segmentos se unam para
ter mais força de negociação com o poder público. “Aqui também estamos
discutindo políticas públicas, porque há muito tempo discutimos os problemas
dos artistas locais, mas ainda desconhecemos muita coisa relacionada aos
nossos direitos”, enfatiza.

Para Lenilton Lima, ações como essa são uma maneira encontrada pelos
artistas potiguares para passarem a lutar em busca de melhorias no exercício
da profissão. “É preciso que a gente deixe de se colocar como coitadinhos e
se posicione, com a união dos mais diversos segmentos da arte”, afirma.
Demonstrando a mesma opinião e ressaltando a importância em uma ação
conjunta, o produtor do Poticanto, Nelson Rebouças, revela que esta é a
primeira vez em que realizam uma reunião em que estão presentes
representantes de diferentes formas de arte. Rebouças afirma que o Governo
do Estado não trata os artistas potiguares com o mesmo respeito que os de
outros locais, como a Bahia. “Como se justifica que o governo não tenha
pouco mais de R$ 3 mil para pagar o Poticanto, mas traz músicos baianos para
se apresentarem aqui durante o verão por um valor muito mais elevado”,
questiona. Como exemplo do desrespeito, o produtor conta que a governadora
Wilma de Faria fez um comentário infeliz relativo ao protesto realizado
pelos artistas no Auto de Natal, pelo atraso no pagamento dos seus serviços.
“A governadora lembrou o folclorista Câmara Cascudo e disse que artista não
elege nem deselege ninguém”, lamenta Nelson Rebouças.

Movimentação

Está marcada para a noite de hoje uma reunião entre representantes de
artistas e da prefeitura, na Capitania das Artes, e a entrega de uma
carta-manifesto. A intenção dos profissionais é apresentar propostas
relativas aos mais diversos segmentos e formar plano de cultura e ações para
2010.

O  movimento  dos artistas surgiu na segunda metade de 2009, quando artistas
circenses resolveram promover um encontro para articulação da classe e um
protesto — contra o desrespeito e a truculência de alguns órgãos municipais
nas apresentações de rua — que ocorreu no dia mundial do palhaço, no
calçadão da João Pessoa. O movimento ganhou corpo e, em dezembro, foi
realizada a reunião setorial de circo. Mas o encontro, que deveria ter
apenas representantes da República das Artes, Brinquedoteca  e ponto de
cultura Boivivo, acabou transformando-se num movimento de artistas de todos
os seguimentos — cênicas,  audiovisual, música, cultura popular . Lenilton
Lima disse que é preciso nivelar o discurso do artista potiguar ao do eixo
Rio/São Paulo, e para isso estão trazendo profissionais da área com objetivo
de discutir políticas públicas e cultura. A convidada de ontem foi  Maria
Tereza de Oliveira, filósofa e professora da Facex, “que é especialista
também na área de políticas públicas”,  disse Lenilton. Além das palestras,
o grupo terá assessoria de marketing e assessoramento jurídico.

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