A necessidade de afastamento dos cargos para a campanha
15 de abril de 2010, da Vila Setembrina dos caídos em Seival e traídos em 
Porongos, Bruno Lima Rocha 

Ao contrário de outros colegas da ciência política, entendo que a reeleição, em 
todas as suas dimensões, é um erro. Se fizermos um exame do momento histórico e 
dos mecanismos de negociação e montagem de maioria que aprovaram esta emenda 
constitucional em janeiro de 1997 (indico este link para os saudosistas), 
verificamos a existência de um vício de origem. Vou além da crítica da 
possibilidade legal de um governante poder disputar a permanência no cargo por 
um mandato subseqüente. Entendo que o mecanismo da incompatibilização é muito 
tênue. Para coibir as práticas de tipo patrimonialista e não reproduzir a 
cultura de imiscuir a coisa pública com fins privados, é necessário que não 
apenas os candidatos para reeleição no Executivo se afastem, mas sim todo e 
qualquer detentor de mandato nos dois poderes elegíveis.
Reconheço que para este pleito já não há mais tempo para mudanças substantivas 
das regras do jogo. Mas, seria importante que nos próximos quatro anos, ao 
menos o casuísmo, tão venal em nas práticas eleitorais, operasse para o bem 
comum. É fundamental que nas próximas eleições, caso o estatuto da reeleição 
continue, seja revista a permanência no cargo de membros dos Poderes Executivos 
e dos Legislativos. Julgo ser impossível separar, dentro do ponto de vista real 
concreto, ultrapassando a eloqüência do tecnicismo jurídico, o exercício da 
função dos atos de campanha. Qualquer inauguração, ato público, ação política, 
e mesmo o cumprimento de agendas de rotina implicam em excessiva midiatização 
de homens e mulheres em função pública. 

Mesmo sabendo que o tema da semana pode até soar “pueril”, e vai contra da 
abordagem estrutural e ultra-realista por mim exercitada, o julgo relevante. 
Isto se dá devido às manifestações que recebi e ouvi de dezenas pessoas 
interessadas na política oficial. A inferência desses entusiastas da democracia 
representativa (por tanto indireta e procedimental) é simples. Estes eleitores 
vêem na participação em campanha de políticos no exercício do cargo como uma 
espécie de competição desleal aos com menor visibilidade. Somente por este 
motivo, o de aumentar o nível de adesão dos que ainda crêem nas regras deste 
jogo, já seria razão suficiente para impedir esta participação. 

Considerando o problema grave no Executivo, no Legislativo o transtorno é 
endêmico. Desafio qualquer entusiasta das regras de transparência, governo 
eletrônico ou de outro mecanismo de pesos e contrapesos na política a provar 
ser possível o controle da agenda de um parlamentar eleito, no exercício do 
cargo, em ano eleitoral. Esta já é recheada de compromissos de tipo paroquial e 
de relações prebendarias. Impossível por tanto, afirmar quando o deputado 
federal, estadual ou vereador está em campanha para benefício próprio, se 
encontra “visitando suas bases” ou acompanhando candidatos da majoritária. O 
único controle possível é aumentar a agenda de plenário e comissões. Para 
evitar esse “incômodo”, os parlamentares das assembléias e do Congresso 
Nacional decretam o eufemismo de “recesso branco” e simplesmente as casas 
legislativas não funcionam no segundo semestre em ano de Copa do Mundo. 

Justiça seja feita, Lula chegou a indicar um auto-afastamento do cargo para 
dedicar-se aos meses de campanha. Até agora nada se concretizou. Mas, o pior 
absurdo é isto depender de um ato voluntário e não de uma regra compulsória. 
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