*Serpro lança programa de Leitura Eletrônica* Terça-feira, 13 dezembro de
2005 - 10:59 IDG Now!  Em cerimônia realizada na tarde de quinta-feira
(12/12), no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, foi lançado o
programa Leitura Eletrônica - Letra, software desenvolvido pelo Serviço
Federal de Processamento de Dados (Serpro) em parceria com a Fundação Centro
de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) para transformar qualquer texto escrito
no computador, em áudio.

Os arquivos de áudio, nos formatos WAV e MP3, podem ser reproduzidos em
qualquer aparelho de CD convencional.

A cerimônia foi aberta pelo próprio Letra, que destacou a importância dessa
ferramenta de inclusão digital e literária, e contou um pouco da história de
seu desenvolvimento.

No evento, também foi assinado um convênio de cooperação técnica entre o
Serpro e o CPqD.

*Banco de dados*

A proposta é simples: o programa tem um banco de dados com a pronúncia de
todas as sílabas e as pontuações. Ao jogar o texto no computador, o programa
associa os sons com aquilo que está escrito e a própria máquina transforma o
texto em áudio.

O Letra "lê" os fonemas escritos e transforma tudo em som. "Isso permitirá
que os livros didáticos sejam utilizados por cegos sem grandes custos", diz
o coordenador do projeto do Serpro, Marcos Kinsky, destacando a diferença de
preço entre uma mídia CD e a impressão de um livro.

Desenvolvido em software livre, o sistema será distribuído gratuitamente
para escolas e instituições que lidam com portadores de deficiência visual.
Assim, quem não pode ver, vai poder ouvir um livro e escutar uma história
com autonomia, sem precisar da ajuda de outra pessoa, mesmo que o material
não esteja disponível em braille.

O Serpro está sendo pioneiro no Brasil no desenvolvimento de soluções para a
inclusão social de pessoas deficientes, em software livre. Segundo o Censo
2000 (IBGE), 2 milhões de pessoas declararam ter grandes dificuldades para o
uso da visão no dia a dia, desses, 160 mil são cegos.

Segundo dados obtidos junto ao Projeto Saci (da USP) e ao Dos Vox (da UFRJ),
cerca de 10 mil utilizam computadores (0,5% do total). No Serpro trabalham
21 deficientes auditivos e 14 deficientes visuais que ajudam a empresa a
adequar os programas às especificidades deste público.

A primeira demonstração aberta do Letra ocorreu na Mostra de Soluções em
Tecnologia da Informação e Comunicações Aplicadas ao Setor Público, em março
de 2005, em Brasília.

"Os órgãos públicos devem negociar com as editoras uma forma de distribuir
os livros sonoros aos alunos com deficiência visual por meio das escolas",
afirma Marcos Kinsky, deficiente visual e coordenador do projeto, que
trabalha há 29 anos no Serpro.

Os interessados em receber o Letra podem enviar um e-mail para
[EMAIL PROTECTED]
.


Jonathan Pereira
Bibliotecário / CRB-8° 091/2005
[EMAIL PROTECTED]
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